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Discurso no XX Congresso do PCUS

N. A. Mukitdinov Publicado em 15.06.2012

Camaradas! No informe do Comitê Central são reveladas de maneira clara e convincente as conquistas da política externa e interna do Partido Comunista, é feito um balanço das notáveis vitórias alcançadas pelo povo soviético no período decorrido após o XIX Congresso do P.C.U.S., apontadas as deficiências em nosso trabalho e desenvolvido um programa para a atividade de nosso Partido na construção do comunismo.

O Comitê Central do P.C.U.S. conduz com firmeza e segurança o Partido e o país pelo caminho indicado pelo grande Lênin. As resoluções históricas dos Plenos do Comitê Central dão ao nosso povo uma clara perspectiva, indicam os caminhos e os meios para a solução vitoriosa dos problemas básicos relativos ao desenvolvimento da economia nacional e da cultura do país. Em consequência da realização antes do prazo do V Plano Quinquenal, aumentaram ainda mais as forças e o poderio do Estado Soviético e cresceu sua autoridade internacional. É indestrutível a unidade de nosso Partido e indissolúvel sua ligação com o povo, são fortes como nunca a aliança entre a classe operária e o campesinato colcosiano e a amizade fraternal entre os povos da URSS.

O zelo constante pelo bem do povo é um princípio supremo para o nosso Partido. Durante o período mencionado elevou-se consideravelmente o nível material e cultural de vida dos trabalhadores. As novas e grandes medidas postas em prática pelo Comitê Central, às quais o camarada Kruschiov se refere, elevarão ainda mais o bem-estar material do povo. A organização do Partido e todos os trabalhadores do Uzbequistão aprovam ardentemente estas medidas e, ao zelo de seu querido Partido pelo povo, correspondem com novos êxitos no trabalho, na luta pelo cumprimento e superação dos planos da economia nacional.

O Partido Comunista conseguiu realizar com êxito a política nacional leninista. Na União Soviética alcançou-se a igualdade econômica e cultural entre todas as nações, grandes e pequenas, igualdade não só jurídica mas também de fato, enquanto que todos os traços do jugo nacional foram definitiva e irrevogavelmente abolidos. A RSS do Uzbequistão, onde foi abolido para sempre o atraso econômico, político e cultural herdado do passado e criadas uma indústria socialista desenvolvida em todos os seus aspectos e uma agricultura coletiva, é um dos brilhantes exemplos da vitória conquistada pela política nacional de nosso Partido. Na república surgiram quadros qualificados da classe operária, uma intelectualidade nacional e floresce a cultura do povo uzbeque.

Durante os últimos cinco anos o volume da produção industrial do Uzbequistão aumentou 62 por cento. Cresceu de maneira particular a produção das indústrias de fabricação de máquinas, carbonífera, metalúrgica, química e têxtil. Continuam a aumentar a produção de algodão, da pecuária, e de outros setores da agricultura.

Grande conquista do povo uzbeque é a formação de numerosos quadros de operários industriais, e da intelectualidade técnica nacional. Se antes da Revolução em toda a indústria do Uzbequistão trabalhavam 16.000 pessoas, hoje somente no combinado têxtil de Taschkent trabalham cerca de 20.000 pessoas. Atualmente os efetivos da classe operária na indústria socialista da República são superiores a 300.000 pessoas. Antes da Revolução o povo uzbeque era totalmente analfabeto. Numa imensa região densamente povoada não havia nenhuma escola superior e nenhum engenheiro uzbeque. Hoje há no Uzbequistão 112.000 técnicos com educação completa superior e média especial, enquanto que nas instituições de pesquisas científicas da república trabalham mais de 6.000 especialistas.

Esse desenvolvimento sem precedente das forças produtivas, esse aumento do bem-estar material e do nível cultural dos trabalhadores, desperta em cada um de nós um sentimento justificado de orgulho por sua pátria socialista, entusiasma os povos dos países vizinhos. Só durante os dois últimos anos nossa República foi visitada por 122 delegações — 1.700 pessoas procedentes de 59 países do mundo. O Pândit Onkar Natk Tkakur, Vice-Presidente do Conselho Pan-Indiano da Paz, afirmou por ocasião de sua visita a nosso país:

"Basta considerarmos apenas os feitos realizados pelos uzbeques para constatarmos que o regime soviético elevou-se à altura imensa. Incluímos no primeiro lugar de suas grandes conquistas os êxitos sem precedentes alcançados no domínio da igualdade entre as nações e raças. O Uzbequistão é um brilhante exemplo do rápido progresso atingido por povos anteriormente atrasados, um brilhante exemplo para homens que queiram viver livremente, sem o sistema de castas e de exploração, que queiram ser iguais perante iguais e acabar para sempre com as discriminações oriundas de considerações raciais e da cor da pele."
Observando pessoalmente nossa vida, o General Paul Tuber, ex-prefeito da cidade de Argel, escreve em seu livro "A República Soviética do Uzbequistão":

"No momento atual, crítico para as potências coloniais, que não souberam prever e nem preparar a libertação dos povos oprimidos, merece ser estudada a solução encontrada pelos soviéticos para esse problema... Seria racional, seria necessário, meditar sobre a lição, meditar sobre o grande exemplo que nos oferece o Uzbequistão, cujas terras, antes estéreis, produzem hoje abundantes colheitas... e onde a população, outrora atrasada, progride em todos os domínios da cultura. Não foi a graça divina e sim o regime diferente que trouxe a essa longínqua região da Ásia Central a água para o algodão e a liberdade para os homens..." (Aplausos).
O progresso da economia na República, o florescimento da cultura, e a elevação do bem-estar material do povo do Uzbequistão — tudo isso resulta da grande ajuda fraternal prestada por todos os povos da União Soviética, tendo à frente o grande povo russo tudo isso são frutos da realização da genial política nacional leninista posta em prática pelo Partido Comunista. (Aplausos).

Camaradas! Para realizar a grandiosa tarefa estabelecida pelo Partido — alcançar e sobrepujar também no sentido econômico os países capitalistas mais desenvolvidos quanto à produção por habitante, — os trabalhadores do Uzbequistão consideram como dever perante o país antes de tudo aumentar por todos os meios a produção de algodão. No projeto de Diretivas do XX Congresso do P.C.U.S. para o VI Plano Quinquenal prevê-se aumentar a produção de algodão no Uzbequistão em 1960, 1,5 em comparação com 1955. Consideramos essa tarefa plenamente realizável. A organização do Partido na República tudo fará para cumpri-la, mas para isso é necessário que elevemos consideravelmente o nível da direção partidária na produção algodoeira.

O Uzbequistão possui grandes possibilidades para desenvolver o cultivo do algodão. No entanto, estamos longe de haver utilizado totalmente essas possibilidades. Ao dirigirmos o cultivo do algodão, cometemos vários e sérios erros, que se traduziram em havermos esquecido a principal finalidade da agricultura socialista: aumentar a produtividade no campo. Durante muito tempo subestimamos os métodos novos e progressistas para o cultivo do algodoeiro eram insuficientes as medidas para aumentar o rendimento dos campos, o abastecimento d’água, os trabalhos de melhoramento do solo, a organização e o pagamento justos do trabalho e o emprego eficiente de um bom equipamento técnico. Em consequência de tudo isso, a República, durante vários anos, marcou passo quanto à produtividade e não cumpre os planos de aprovisionamento do algodão, embora sua colheita total tenha aumentado 277 mil toneladas em comparação com 1950. O C. C. do P.C.U.S. nos ajudou a compreender os erros cometidos e a estabelecer os meios para fomentar o cultivo do algodão.

Em 1956 o Uzbequistão deve produzir 2 milhões e 900 mil toneladas de algodão, o que representa 400 mil toneladas a mais do produzido no ano passado. A reunião que se realizou em dezembro de 1955, com a participação dos camaradas Kruschiov e Bulgânin, dos vanguardeiros da agricultura na República, aprovou as seguintes medidas, a serem tomadas pelos colcoses, sovcoses e E.M.T.[Estações de Máquinas e Tratores], para realização desse plano: realizar a semeadura do algodoeiro pelo sistema quadrangular, com o subsequente cultivo mecanizado em duas direções, sobre uma área de cerca de 1 milhão de hectares, para, em 1957, terminar totalmente em todos os colcoses e sovcoses da República a passagem a esse método progressista de agrotécnica realizar em 1956 a mecanização complexa do cultivo e da colheita de algodão em área não inferior a 400.000 hectares em 1957, de 800.000 hectares, e em 1958, terminar a mecanização complexa em todas as áreas de semeaduras, conseguindo-se nessa base o aumento de cerca de 2 vezes na produtividade do trabalho.

Cerca de 40% dos colcoses e dos sovcoses em nossa República conseguem colheitas extremamente reduzidas — até 15 quintais de algodão por hectare. Nesses colcoses e sovcoses a lavoura se acha num estado de abandono. Elevando a produtividade dessa lavouras no mínimo ao nível dos índices médios, teremos a possibilidade de conseguir a mais, não menos de 300 a 400 mil toneladas de algodão. Por isso, a organização do Partido no Uzbequistão, além de desenvolver as economias de vanguarda, concentra a sua principal atenção no fomento das atrasadas, com o objetivo de não haver na República, nos próximos dois anos, nenhum colcós ou sovcós que obtenha uma colheita de algodão inferior a 20 quintais por hectare.

Os especialistas do país representaram um grande papel na conquista dos êxitos no desenvolvimento do cultivo do algodão. Os selecionadores soviéticos conseguiram espécies que correspondem às peculiaridades das principais regiões algodoeiras, enquanto que os especialistas descobriram processos agrotécnicos capazes de obter elevadas colheitas. No entanto, o aumento da produção de algodão exige uma considerável melhoria da atividade de pesquisas científicas. Possuímos a Academia de Ciências da República, o Instituto de Pesquisas Científicas para o cultivo do algodão da URSS, o Instituto de Irrigação, o Instituto de Mecanização e Eletrificação da agricultura Irrigada, com uma vasta rede de campos e estações experimentais. Muitas destas atuam, porém, dispersamente, permitem o paralelismo no trabalho, pouco desenvolvem os fundamentos científicos do cultivo do algodão, os problemas teóricos relativos à biologia do algodoeiro, e os novos sistemas progressistas de agrotécnica aplicados às condições vigentes em diferentes regiões e distritos. Há um atraso particularmente acentuado na seleção, no tratamento das sementes e na elaboração dos processos de defesa das plantas contra as enfermidades e as pragas da agricultura. São extremamente insuficientes os trabalhos de fabricação e produção de novos tratores e máquinas destinadas ao cultivo do algodão. É insatisfatório o trabalho científico em relação à economia algodoeira e ao desenvolvimento complexo da produção colcosiana e sovcosiana.

À organização do Partido na República cabe a responsabilidade pelas sérias deficiências na atividade das instituições de pesquisa científica. Ao mesmo tempo, é necessário que façamos sérias exigências à Academia de Ciências da URSS e, particularmente à Academia de Ciências Agrícolas da URSS, as quais, evidentemente, não levam em conta o fato de que para resolver os grandes problemas científicos relativos ao cultivo do algodão são necessários os esforços conjugados das organizações de pesquisas científicas, a participação ativa dos cientistas do país. A Academia de Ciências da URSS e a Academia Superior de Ciências Agrícolas Lênin devem unificar a atividade dos trabalhadores científicos das Repúblicas federadas e das Instituições de Pesquisas Científicas, incorporando-as diretamente ao estudo dos grandes problemas relativos ao cultivo do algodão. Seria útil realizar brevemente uma conferência científica de toda a União sobre a cultura do algodoeiro, convidando-se sábios de países estrangeiros, e nessa conferência realizar um balanço e indicar os meios para o desenvolvimento dos trabalhos de pesquisa científica relativos ao cultivo do algodão.

Entre nós toda a cultura do algodoeiro baseia-se na agricultura de irrigação. O povo uzbeque possui uma experiência multissecular desse tipo de agricultura. Sob o poder soviético os trabalhos de irrigação atingiram proporções extraordinariamente amplas. Só durante os anos de após-guerra inverteram-se, com esse fim, em nossa República, 1 bilhão e 2,00 milhões de rublos. Apesar disso, não se pode considerar satisfatória a situação atual das obras de irrigação. Existem entre nós muitos distritos e até mesmo regiões onde o problema do abastecimento de água ainda não foi resolvido. Cerca de 1 milhão de hectares de terra irrigados no Uzbequistão estão em estado precário em virtude da falta de trabalho, de manutenção. Em consequência de serem muito poucas as obras de engenharia nos canais e na rede de irrigação, há a dissipação e a má distribuição dos recursos d’água, o que, com frequência, transforma as terras em pântanos e exagera sua salinidade. Tudo isso retarda a elevação da produtividade na economia algodoeira e a ampliação das áreas irrigadas.

O VI Plano Quinquenal prevê a inversão de 2 bilhões e 700 milhões de rublos nas obras de suprimento de água aos campos da República. Só isso, porém, não resolve o problema. E* necessário melhorar radicalmente a direção do abastecimento d’água e da agricultura de irrigação. Considerando errado a pouca atenção que se dedica ao problema, a organização do Partido no Uzbequistão toma atualmente medidas para melhoraria direção desse importante setor da economia, base da agricultura de irrigação. Devemos observar que o Ministério da Agricultura da URSS subestima essa questão. A direção exercida neste setor, em todo o país, esta concentrada em um dos departamentos do Ministério da Agricultura, mas este departamento trabalha desligado das organizações locais, não dispõe de recursos, nem de direito, e não exerce a necessária influência sobre a situação vigente em cada local. No entanto, a agricultura de irrigação ocupa grande peso específico na economia do país em seu conjunto.

A água não conhece fronteiras administrativas. A maioria dos grandes rios e das fontes de irrigação estende-se por várias Repúblicas. Por isso é extremamente importante a coordenação da ação e a unificação dos. esforços das Repúblicas por órgãos gerais que abranjam toda a União. Os órgãos incumbidos do abastecimento d’água estão hoje suficientemente equipados com maquinaria e quadros, e hoje é possível enfrentar o problema do amplo aproveitamento das fontes de irrigação. No entanto, os numerosos esquemas para a ampla utilização dos recursos de energia e de água oferecidos pelo Syr-Dariá, Amu-Dariá, Zeravchan e outros rios, elaborados há muito tempo pelas organizações projetistas, até hoje não foram examinados e ratificados por nenhuma instituição. Em consequência disso, cada República frequentemente resolve o problema unilateralmente, só considerando as necessidades locais, o que acarreta grandes despesas improdutivas de recursos do Estado e a utilização irracional das reservas hidráulicas e energéticas. Parece-nos haver amadurecido a necessidade de um exame amplo e profundo da estrutura e da situação dos órgãos encarregados de resolver os problemas relativos ao abastecimento d’água, com a finalidade de elevar o nível da direção que os mesmos exercem, visando garantir o ascenso da produtividade na agricultura de irrigação, utilizar com eficácia os imensos recursos e meios materiais a isto destinados pelo Estado e pelos colcoses.

Brilhante exemplo de solução acertada do problema pelo Estado é a resolução do C. C. do P.C.U.S. relativa ao desenvolvimento da irrigação na Estepe da Fome. A Estepe da Fome é um maciço compacto de terras altamente produtivas com uma área de cerca de 1 milhão de hectares. Por falta d’água, considerável parte dessa área permaneceu estéril durante séculos. A importância econômica dessa região reside no fato de que, com gastos relativamente reduzidos, pode-se aproveitar ali, em curto prazo, centenas de milhares de hectares e criar um maciço para o plantio do algodoeiro, que não tem igual por sua amplitude. Atesta a imensa importância nacional do aproveitamento da Estepe da Fome o fato de que já a 17 de maio de 1918, Vladimir Ilicht Lênin assinava o decreto do Sovnarkom relativo à utilização de 500 mil deciatinas de terras dessa região e ao investimento de 500 milhões de rublos para os primeiros trabalhos. Hoje o C.C. do P.C.U.S. levanta novamente este problema e apresenta aos cultivadores do algodão, como uma das tarefas centrais, lavrar toda a Estepe da Fome em curto prazo.

Pela transferência das terras de Bostandik e da Estepe da Fome, transferência que é uma expressão de autêntica amizade, o povo uzbeque expressa seu reconhecimento ao povo glorioso e trabalhador do Kazaquistão. (Aplausos). Pela solução deste grande problema nacional, que assegura o desenvolvimento das forças produtivas da República, o povo uzbeque manifesta seu profundo reconhecimento ao governo da União e ao Comitê Central de nosso querido Partido Comunista. (Aplausos). Seguindo o exemplo de utilização das terras virgens em Altai, Sibéria e Kazaquistão, os cultivadores de algodão, no Uzbequistão e no Kazaquistão farão todos os esforços para transformar nos próximos anos o deserto da Estepe da Fome em região florescente, em nova e poderosa região de cultivo do algodoeiro. (Aplausos). Esperamos que as organizações da União e, em particular, os Ministérios, da Agricultura, dos sovcoses, da Construção Urbana e Rural, dos Transportes Automobilísticos e Rodoviários, a Comissão Econômica Nacional e o GOSPLAN, o C. C. do Komsomol e a Associação de Consumidores da URSS nos prestarão a necessária ajuda nessa obra extremamente importante.

Camaradas! Os comunistas do Uzbequistão, armados com as históricas decisões do XX Congresso do P.C.U.S., continuarão a marchar nas primeiras fileiras dos que lutam pela realização completa das grandes idéias do marxismo-leninismo e pela vitória total do comunismo. (Aplausos).