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Mobilização do povo definirá o “26”

Adalberto Monteiro Publicado em 20.10.2014

As pesquisas, análises, estatísticas e o eco das ruas teimam em indicar que o resultado do próximo dia 26 está indefinido. Para desempatar esse jogo, o fator que poderá decidi-lo é mais militância, mais mobilização do povo, mais empenho das forças políticas e sociais da frente ampla.

Dilma em atividade recente de campanha em Curitiba

A mobilização dos apoiadores de Dilma se eleva de importância, sobretudo depois da antidemocrática intervenção de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no programa eleitoral na TV e no rádio. Sob o pretexto de elevar o nível do debate, juízes da corte passaram, na prática, a censurar a liberdade de expressão dos partidos e das candidaturas. Essa conduta de bloquear o debate vem, deliberadamente, ao socorro de Aécio Neves.

Alguém pode lançar o argumento de que a propaganda do tucano também é alvo de cortes. Acontece que ele tem a seu completo dispor praticamente a totalidade dos veículos de comunicação para atacar Dilma, dia e noite, noite e dia. Assim, a atitude aparentemente magnânima de ministros do TSE resulta em “proteger” Aécio uma vez que tira do ar informações e opiniões importantes sobre o tucano, como a construção do aeroporto privado com dinheiro público a perseguição que o ex-governador de Minas empreendeu contra jornalistas no estado. É importante, também, o eleitor saber que Aécio se negou a soprar o bafômetro. Isso não é “baixaria”. É uma conduta pública de quem se coloca acima da lei.

As manifestações de rua, o trabalho de convencimento em todos os ambientes da vida social, a declaração de voto de nós eleitores, de lideranças de todos os setores, de personalidades do mundo da arte, cultura, do esporte, da intelectualidade, tudo isso ganhou mais importância para superar a mensagem de ódio, de arrogância, de mentiras que a campanha de Aécio despeja pela grande mídia contra a presidenta Dilma e contra o “petismo”. Pode ser terminante para conquistar o voto de uma pequena, porém decisiva, parcela do eleitorado que continua em dúvida ou que ainda pode alterar sua opção.

Da parte da campanha da direita, se alarga o ajuntamento reacionário que ambiciona ceifar o ciclo progressista iniciado em 2003 com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Além das forças conservadoras do país, o imperialismo atua, às claras e às escondidas, em favor do tucano. A “declaração de voto” da The Economist, revista porta-voz do sistema financeiro internacional, a Aécio Neves é exemplo disso. Todavia, apesar de ser uma interferência indevida e abjeta, ela é pedagógica para demonstrar, como disse o ex-presidente Lula, que Aécio é o candidato dos banqueiros, e Dilma a “candidata do povo brasileiro.”

Aliás, Aécio se compara ao avô que formou uma frente ampla para derrotar a ditadura militar. Tancredo buscava a democracia, proclamava “não pagaremos a dívida externa com a fome do povo”, portanto, representava o avanço. Aécio aprendeu com o avô a fazer frente ampla, só que sem povo e com objetivo “ao contrário”. O tucano e o seu ajuntamento conservador representam o retrocesso, o Brasil engatado na marcha a ré, rumo ao passado neoliberal de autoritarismo, de arrocho salarial e aviltamento da soberania do país.

Pelo país afora, com pequenas e grandes iniciativas e manifestações pró-Dilma, o povo dá mostras de que comprou “a briga” – precisamos nesta última semana é multiplicá-las. Um movimento crescente até o dia da eleição. Com o sorriso da esperança no rosto e a força dos argumentos nos lábios, e as bandeiras de Dilma Rousseff ao alto, vamos derrotar o retrocesso e conquistar a quarta vitória do povo.

*Presidente da Fundação Mauricio Grabois e editor da revista Princípios