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Cape Town, o último "baluarte" do apartheid

Bernardus Van Der Putten Publicado em 14.04.2012

A minoria branca vive totalmente separada da maioria negra

O mais famoso morador de Cape Town, o ativista Desmond Tutu, incorpora, para muitos, a tolerância. Mas, para os negros sulafricanos, esta cidade constitui o último baluarte do domínio dos brancos no país.

Cape Town, situada no "nariz" da África do Sul, é uma cidade de 3,5 milhões de habitantes onde a maioria são brancos, os quais, vivem separados dos negros: Os brancos no centro e nos bairros no sopé da montanha, enquanto os negros nos mais distantes subúrbios. O aparteid proíbe aos negros residir e trabalhar no centro da cidade.

O Cape Oeste é a única das nove regiões do país que não é administrada pelo Congresso Nacional Africano (ANC), mas, pela Aliança Democrática, partido que surgiu pelo movimento contra o aparteid dos brancos, mas, acabou incluindo elementos do antigo Partido Nacional que era responsável pelo aparteid.

As autoridades municipais tentam alterar "o desenvolvimento geográfico do aparteid", como o denominam. Contudo, um estudo realizado em dezembro de 2010 pela universidade local revelou que, seus moradores negros não acreditam que lhes são oferecidas suficientes oportunidades no setor econômico. O estudo conclui que, na região do Cape Oeste, "os africanos (negros) conseguem sempre menos do que os brancos no que diz respeito a evolução de suas carreiras, algo que cria uma espécie de nível ebano".

A maioria das belas praias da costa do Atlântico, que era proibida aos negros, continua atraindo exclusivamente brancos. Negros denunciam que, em restaurantes vazios lhes dizem que não há mesa disponível e, em grandes locadoras nunca existem automóveis disponíveis.

Finalmente, nesta cidade onde as desigualdades econômicas são muito fortes, a classe social tem, de alguma forma, substituído a raça. O jornalista Osiame Molefe excreveu recentemente sobre por que negaram-lhe a entrada em um bar: Na terceira vez que não me deixaram entrar no Asoka, bar da Kloof Street, um representante do bar me escreveu: "Posso informá-lo que o Asoka Bar não adota nenhum critério racista para escolha de seus frequentadores! Somos os primeiros que reconhecemos de que nossa política é baseada na classe social e na apresentação pessoal...infelizmente, isto esperam e exigem nossos fregueses habituais. Na realidade esta é a desagradável verdade da sociedade em que vivemos". Mas, não explicou como define "classe social".

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Fonte: Africa News Agency/Sucursal da África Ocidental, no Monitor Mercantil