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China ergue seus alicerces no espaço sideral

Lee Wong Publicado em 06.08.2011

Forte desempenho econômico garante execução dos programas quinquenais

Até o final deste ano, a China terá enviado ao espaço sideral o primeiro dos grandes vetores com os quais construirá sua própria estação espacial e, graças ao seu crescimento econômico, pretende reivindicar a nova etapa da primazia de investigação no espaço.

Ainda neste ano, um foguete construído no próprio país transportará uma parte do vetor, no tamanho de um vagão de trem, que será o primeiro segmento da estação interplanetária que montará no espaço.

Os planos da China - embora esteja muito atrás dos EUA em tecnologia espacial e experiência - são particularmente ambiciosos. Embora tenha sido o terceiro país a enviar seu próprio astronauta ao espaço - apenas em 2003 - em 2006 lançou seu próprio foguete à Lua, planeja completar a construção de sua própria estação planetária e colocá-la em órbita até 2020.

Simultaneamente, a já existente estação planetária internacional deverá encerrar suas atividades e, se não providenciarem sua substituição, a China será o único país com permanente presença humana no espaço e, em continuação, planeja lançar sua própria nave não tripulada à Lua e, mais tarde, com novo lançamento, enviar seu próprio astronauta para lá.

Os EUA já estão preocupados. Por um lado porque o programa espacial chinês é controlado única e exclusivamente pelo Exército da China e, por outro, porque desde seus primeiros lançamentos ao espaço tinha a missão de destruir, com míssil lançado da Terra, um satélite "sem uso" lançado da Terra pelos EUA há quatro anos, fato interpretado como claro sinal de militarização do espaço, embora diplomatas e observadores chineses repitam que a China está muito atrás dos EUA no espaço sideral e não tem objetivos bélicos.

EUA pagam passagem

Obviamente, existem outros países - além da China - que já manifestaram ambições espaciais. A Rússia, por exemplo, já concluiu o planejamento para criação de uma estação interespacial na Lua, de onde pretende lançar sua primeira missão a Marte, embora não divulgou quando pretende iniciar a execução de seu ambicioso plano. A Índia já lançou uma nave não tripulada em órbita em torno da Lua e está preparando o lançamento de uma nave tripulada à Lua, em 2016.

Nos EUA, por enquanto, os planos da Nasa - que comemora seus 30 anos de existência - não incluem novas missões à Lua, depois que o presidente Barack Obama declarou: "Já fomos ali", e fixou como meta a aterrissagem de astronave tripulada em asteróide até 2025, antes da missão a Marte, suspensa por enquanto por causa da crise econômica e dos violentos cortes de verbas que sofreu a NASA.

Já a galopante economia chinesa garante ao programa espacial chinês o desempenho extra para que atinja os EUA que, neste ano, encerraram seu programa de ônibus espaciais. E daqui para frente pagarão à Rússia de US$ 56 milhões (neste ano) até US$ 63 milhões (a partir de 2014) como tarifa para transportar seus astronautas à Estação Internacional Espacial, com as naves Soyuz. Mas alimentam as esperanças de que a participação da iniciativa privada lhes proporcionará uma solução alternativa mais barata.

Marco da decadência

Mas, também, é econômico o álibi chinês. Conforme argumentam autoridades chinesas, os raros minérios da Lua e o Hélio-3 serão particularmente lucrativos. Álibi contra as advertências ouvidas no Senado dos EUA de que "os chineses aprenderão no espaço como tornar seus foguetes muito mais precisos para o uso militar e adquirirão conhecimentos em tecnologia de ponta que tornará seus setores industriais mais competitivos".

Obviamente, são razões que explicam porque a Nasa rejeitou qualquer proposta chinesa de cooperação no passado. Segundo um ex-alto executivo da Nasa, que pediu anonimato, "o predomínio no espaço sideral tem alto valor simbólico para os brios de uma nação e gigantesca influência internacional". "Nossa decadência no espaço significará a decadência do poderio e da influência dos EUA".

A propósito, Peter Bad, analista do Janes Space Systems, explica que "os chineses, além de mais fortes economicamente, trabalham com programas quinquenais e conseguem aprofundar seus projetos, avançando lenta e seguramente, melhorando seguidamente seus conhecimentos e criando, finalmente, sua própria indústria interespacial".

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Fonte: Monitor Mercantil