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Alemanha refém de seu próprio custo político

Laura Britt Publicado em 08.06.2011

Problema da Grécia será enfrentado por todos os países europeus

In extremis em relação aos prazos, os parceiros da Grécia na Zona do Euro - é quase certo - cobrirão a nova necessidade de financiamento do país, a fim de o Fundo Monetário Internacional (FMI) liberar sua participação total da quinta parcela.

Por uma vez mais, em nome do custo político, será escolhida a opção do mínimo denominador comum, considerando - com toda certeza - que o problema que enfrenta hoje a Grécia será, igualmente, enfrentado amanhã pela Irlanda, Portugal, Espanha, Itália e outros, isto é, a impossibilidade de retorno aos mercados nas datas previstas.

O grupo de trabalho que está preparando a correspondente proposta para o Eurogroup será - sem sombra de dúvida - uma maioria de condições restritivas, porque todos os componentes do grupo de trabalho terão como prioridade convencer os políticos, seus superiores, e estes, por sua vez, a opinião pública - a qual cultivaram apropriadamente - de que escolheram a fórmula mais barata para os contribuintes.

Trata-se de um cenário que tem sido conformado, repetidamente, no passado na Alemanha. Em nome de uma dura tática de negociação cultiva-se a rejeição da opinião pública e, quando deve ser feita a adequação realista, o custo é muito alto, até proibitivo.

Clássico exemplo é a Convenção de Versalhes após o fim da Primeira Guerra Mundial. Quando foram anunciadas suas - de fato - duras condições, o então chanceler alemão Seideman disse que "a mão que a assinará deverá ficar paralítica". Alguns meses depois, a Convenção foi assinada com o governo alemão pagando multiplicado custo político.

Custo superior - O que - de fato - está acontecendo é perfeitamente claro e visível. O custo político interno da Alemanha, assim como da Finlândia, Áustria e Holanda, não permite o enfrentamento total da crise empréstimo dos países com problemas fiscais em sintonia com garantias e medidas que conformarão a boa ordem fiscal, a perspectiva de crescimento e a reconstituição de credibilidade nos mercados.

Assim, o problema que no início da crise limitava-se à Alemanha tem hoje sido disseminado em um grupo de países que, no âmbito atual, vêem um horizonte sem saída de empréstimo e reempréstimo, com resultado no final estar ameaçada sua capacidade de endividamento como AAA.

O problema do engaiolamento na retórica populista do tipo "não pago" é registrado em estado de paroxismo na Alemanha. Dia após dia torna-se compreensível que a chanceler, “Frau" Angela Merkel, será obrigada a sucumbir à lógica comum, mas com custo final bem superior.

Mas, infelizmente, para a chanceler o modelo de provocação de crise nervosa nos mercados com cenários de dura reestruturação obrigatória, boatos sobre saída da Zona do Euro e uma escolha de alvo que foi adotada no caso da Grécia nos últimos dois meses para, finalmente, ser escolhida - no último momento - a cobertura das necessidades adicionais de empréstimo, uma tática que já atingiu seus limites.

Entretanto, esta constatação provoca preocupações adicionais. Hoje, é impossível uma reviravolta total no governo de Berlim, conforme comprovaram as manipulações do problema da Grécia, assim como a persistência da chanceler na crença de que suas derrotas consecutivas nas eleições regionais se devem no apoio dos problemas do Sul Europeu.

Evitar o dominó da desestabilização na Espanha e na Itália exige a adoção de tudo aquilo que hoje tem custo proibitivo na Alemanha: garantias totais e previsibilidade de longo prazo.


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Fonte: Monitor Mercantil