Artigos

Bush, Cheney e Rumsfeld: detalhes de uma farsa

Serbin Argyrovitz Publicado em 17.04.2010

Bush Jr, Dick Cheney e Donald Rumsfeld encobriram o fato de terem enviado – com seu pleno conhecimento – centenas de inocentes ao inferno de Guantanamo, porque temiam que, se os deixassem livres, atingiriam seus esforços de manter os EUA na guerra contra o Iraque, assim como, na ampliação da guerra contra o terrorismo que havia declarado o então presidente dos EUA.

As acusações foram formuladas por Lorenz Wilkinson, principal colaborador de Colin Powell, então secretário de Relações Exteriores dos EUA, em seu depoimento escrito, apresentado em ação na justiça formulada por um detento em Guantanamo. É a primeira vez em que são reveladas acusações desta gravidade por uma figura de alto escalão do governo de Bush Jr.

O coronel Wilkinson, que exerceu o cargo de chief-of-staff (chefe de R.H) do general Powell, foi muito mais crítico contra Cheney e Rumsfeld. Argumenta em seu depoimento que o ex-vice-presidente dos EUA (Dick Cheney) e o ex-secretário de Defesa (Donald Rumsfeld) sabiam que a maioria dos 742 detidos suspeitos de terrorismo, enviados inicialmente ao inferno de Guantanamo, em 2002, eram inocentes, mas tanto Cheney, quanto Rumsfeld diziam que era “politicamente impossível libertá-los”.

O general-secretário de Relações Exteriores retirou-se do governo de Bush Jr, em 2005, “revoltado pela “desinformação” que divulgou, “sem querer”, na comunidade internacional”, quando discursou no plenário da Organização das Nações Unidas defendendo os motivos que tornavam indispensável a invasão no Iraque, mas, hoje, parece que concorda com o depoimento de seu ex-colaborador estreito.

Presos por mercenários

O coronel Wilkinson, há tempo severo crítico das alegações do Governo Bush Jr. no que diz respeito à guerra contra o terrorismo e à invasão do Iraque, declara em seu depoimento que “a maioria dos detidos – entre crianças de 12 anos e idosos de até 93 anos – não viram nunca soldado norte-americano por ocasião de sua prisão”.

“Muitos foram entregues aos norte-americanos por afegãos e paquistaneses, agentes terceirizados da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, os quais cobravam US$ 5 mil por cada preso. Os norte-americanos os encarceravam em Guantanamo mesmo se tivessem informações mínimas ou nenhuma informação sobre suas supostas atividades terroristas”.

O coronel Wilkinson disse também em seu depoimento que um motivo pelo qual Cheney e Rumsfeld não desejavam a libertação dos inocentes detidos era “para não ser revelado quão “embrulhada” havia sido a operação para a detenção deles”. “Isto era inaceitável pelo governo e terrivelmente prejudicial para Donald Rumsfeld, como secretário de Defesa”.

Referindo-se ao vice-presidente, Dick Cheney, o coronel Wilkinson – que serviu durante 31 anos no Exército dos EUA – declarou que “não tinha a menor preocupação pelo fato de a esmagadora maioria dos detidos em Guantanamo era inocente. Se centenas de inocentes era preciso sofrerem, a fim de serem presos alguns poucos terroristas, isto valia à pena…”

Cheney e Rumsfeld acreditavam que a existência de inocentes que apodreciam no inferno de Guantanamo servia para justificar, por longo tempo, a ampla guerra contra o terrorismo no Grande Oriente Médio e contra um punhado de terroristas que foram os responsáveis pelo atentado de 11 de setembro de 2001.

_________________________________________________________

Fonte: Monitor Mercantil