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Seis aspectos chave da economia

Juliano Ma, editor Xinhua Publicado em 12.01.2017

Como a economia da China se comportará com a "nova normalidade" em 2017. Normalidade que envolve preocupações pelo crescimento do produto interno bruto (PIB), a reforma estrutural do lado da oferta, a política monetária, desvalorização do renminbi, entre outros aspectos.

Beijing (Xinhua) — A economia chinesa se adaptou à sua “nova normalidade” em 2016 em meio às crescentes preocupações pelo crescimento do produto interno bruto (PIB), com a reforma estrutural do lado de oferta, com a política monetária, com o renminbi (moeda do povo) e outros.

Para melhor entender como será o desempenho e o rumo que a crescente economia chinesa tomará ao longo de 2017, os economistas e especialistas pedem grande atenção a seis importantes princípios.

Crescimento estável – Apesar da pressão para baixo, o crescimento econômico da China se estabilizou em 6,7% nos primeiros três trimestres de 2016, o que desmentiu os rumores de uma aterrissagem dura. Em 2017, os responsáveis políticos continuarão dando prioridade à estabilização da economia, pois o Partido Comunista da China realizará seu 19º Congresso Nacional em Beijing no segundo semestre deste ano.

Os economistas preveem um “aterrissagem suave” da economia chinesa e assinalam que a política fiscal proativa continuará desempenhando um papel positivo. “O firme crescimento da China será garantido tanto por um forte potencial de crescimento como por políticas eficazes de controle macroeconômico”, disse Zhang Liqun, pesquisador do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento do Conselho de Estado.

Em 2017, o crescimento do investimento e as vendas de imóveis diminuirão, mas o efeito negativo será rebatido pelo investimento em infraestrutura, disse Robin Xing, economista chefe para a China da Morgan Stanley.

Reforma estrutural x oferta – A Conferência Central de Trabalho Econômico tem feito da “busca do progresso ao mesmo tempo de manter a estabilidade” o tema principal do trabalho econômico em 2017 e prometeu impulsionar avanços significativos na reforma estrutural do lado de oferta. Os economistas consideram que a China melhorará seu sistema econômico básico e acelerará as reformas para delegar os poderes, melhorar o regulamento e otimizar os serviços.

Yu Yongding, economista e ex-conselheiro do banco central, enfatizou a importância da reforma estrutural do lado de oferta e das políticas de controle macroeconômico, dizendo que o crescimento estável da China não se poderá obter sem reformas, as quais também não serão bem-sucedidas se estiverem fora de controle. “Vendo de uma perspectiva mundial, a vantagem da China se situa em sua ampla margem para as reformas”, disse Xing. Em 2017, a China espera empreender reformas fundamentais nas empresas estatais, tributação, finanças, terras, urbanização, seguridade social, civilização ecológica e a política de abertura.

Política monetária prudente – A política monetária da China será “prudente e neutra” em 2017, segundo a Conferência Central de Trabalho Econômico. É pouco provável que neste ano haja uma flexibilização monetária substancial e a atenção da política monetária poderia mudar de apoiar o crescimento a evitar os riscos, disseram os economistas. O banco central tende a preferir ferramentas como acordos de recompra reversa e instalações de empréstimos a médio prazo para garantir a liquidez e evitar um excessivo crescimento do crédito.

Huang Yiping, assessor do banco central, disse que a política monetária da China estará determinada no ano de 2017 pelo objetivo de crescimento econômico anual do governo, enquanto prevê uma crescente inflação, a alta das taxas de juros nos Estados Unidos e um yuan mais fraco, o que restringirá o espaço para a flexibilização monetária.

Improvável queda do renminbi – O renminbi (RMB), ou yuan chinês, registrou agudas desvalorizações desde outubro, o que causou preocupação no mercado. Mas os economistas descartam a possibilidade de diminuições persistentes em 2017 e consideram que a China pode lidar com o impacto, mesmo que ocorrerem mudanças nas taxas de câmbio maiores do que esperado.

Não existe precedente para que um país com o maior superavit em conta corrente do mundo, uma grande taxa de crescimento do PIB, abundantes reservas internacionais e restrições de capital veja uma depreciação significativa de sua moeda, disse Yu.

O firme avanço econômico da China determina que o RMB manterá sua fortaleza em relação a outras moedas, indicou Zhang, que considera a recente debilidade como uma correção da apreciação excessiva anterior. Zhang espera que o RMB termine com sua tendência de perdas no primeiro semestre de 2017.

Estabilização do mercado imobiliário – Como um fator chave do investimento em ativos fixos, o setor imobiliário da China será vigiado estreitamente em 2017 por seu efeito no crescimento econômico.

Com regras mais severas para a compra de casas a fim de conter a especulação e a revisão do aumento dos preços, a venda das propriedades crescerá a um ritmo menor neste, disse Zhang. No entanto, o especialista espera que a urbanização da China apoie a demanda de moradias e mantenha um firme crescimento do mercado.

Em 2017, o mais alto legislativo da China aprovará a lei de impostos imobiliários, muito discutida, o que aumentará o custo da especulação, disse Zhang Shuyu, um especialista em macroeconomia da Universidade de Economia e Negócios Internacionais. Além disso, é provável que o governo continue com políticas imobiliárias diferenciadas para abordar a divergência do mercado entre as metrópoles e as menores cidades.

Um motor chinês para a economia mundial – A economia mundial enfrenta uma lenta recuperação, com uma população em envelhecimento e uma ampla brecha de riqueza, entre outros obstáculos de longo prazo. Ao contrário, a China, embora experimente uma desaceleração, registrou um invejável crescimento de entre 6,5% e 7% e continua movimentando o crescimento global. “Neste contexto, o mundo depende cada vez mais da China para fazer em relação aos obstáculos deste ano e a China desempenhará um papel ainda maior para impulsionar a globalização”, assinalou Zhang Liqun.

Como as duas maiores economias do mundo, os laços econômicos entre a China e os Estados Unidos também merecem mais atenção. Huang Yiping assinalou que é provável que a decisão do presidente eleito Donald Trump de nomear a China como manipulador de divisa e de impor grandes tarifas contra seus produtos crie enorme incerteza e gere efeitos negativos.