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Vivemos a era do socialismo

Maurício Grabois Publicado em 20.06.2017

Em 1945, o dirigente comunista Maurício Grabois saudava os 28 anos da Revolução Russa e suas conquistas em artigo à Tribuna Popular. Suas palavras ecoam, mais do que nunca, ao apontar a importância daquela vitória dos povos de todo o mundo contra a opressão.

Há 28 anos, o Proletariado assumia o poder na Rússia.

Pela primeira vez na História, em um dos grandes países da Europa, cujo povo vivia em enorme atraso e miséria, o poder político passava às mãos dos explorados e oprimidos, da até então considerada do futuro e já agora do presente – o Proletariado.

É esta data um marco histórico da Humanidade. A Revolução de Outubro significa para os povos do mundo inteiro um passo decisivo no caminho do Progresso e da emancipação dos homens e da exploração e da miséria.

Em 7 de novembro de 1917, o proletariado da Rússia, de maneira definitiva, provou ao mundo, sob a direção de seu partido Bolchevique, a justeza do Marxismo, com o início da luta pela construção do Socialismo.

A teoria de Marx e Engels foi confirmada na prática. As palavras do Manifesto Comunista, elaborado pelos dois gênios do Socialismo Científico, estavam sancionadas com os acontecimentos de outubro, O proletariado acabava de perder as suas cadeias e ganhava um novo mundo.

A propriedade, passara por constantes e contínuas transformações históricas, sofria uma nova modificação. A propriedade burguesa, a propriedade privada moderna, que, com a Revolução francesa, sucedera à propriedade feudal, Fora extinta, e, em seu lugar, se instaurara a propriedade social dos meios de produção.

Uma ordem nova surgira para os povos que constituem, hoje, a União Soviética, Afastando deles todos os males do regime capitalista, criando as condições apara a liquidação definitiva da miséria, da fome, do desemprego e da guerra. Já não existiriam as crises que paralisam as máquinas e as fábricas, que fazem com que se queimem milhões de toneladas de artigos indispensáveis ao homem, enquanto populações inteiras não têm com que se alimentar e vestir.

Nasceu o período do proletariado vitorioso. Os homens não mais produzirão desorganizadamente, lutando em desespero uns contra os outros. Agem harmonicamente, planificadamente, e todos têm um só objetivo: a felicidade e o progresso dos povos da nova República Soviética.

E a vitória da insurreição de outubro só foi possível porque, à frente do Proletariado, se encontrava um Partido que, ligado profundamente às massas e contando com dirigentes capazes e provados na luta, como Lênin e Stalin, soube conduzi-lo pelo justo caminho.

Sem o Partido Bolchevique, não seria o proletariado vencedor a 7 de novembro de 1917, como também não consolidaria o Socialismo na União soviética, nem obteria as grandes vitórias alcançadas durante os 28 anos de sua existência no poder. Os jornais reacionários do Brasil, com o Correio da Manhã à frente, têm ultimamente, procurado desmoralizar os comunistas de nossa terra, chamando-os pejorativamente de “bolcheviques”. Não poderia haver maior elogio a um comunista do que chama-lo de bolchevique, nome dado ao membro de um partido que conseguiu realizar o Socialismo na sexta parte do mundo e contribuiu decisivamente para o aniquilamento militar do fascismo, trazendo para a Humanidade a certeza de melhores dias. O bolchevique é um exemplo para todos os comunistas do mundo inteiro.

Nós, comunistas brasileiros, admiramos os heroicos lutadores da União Soviética, que souberam levar os seus povos à vitória na luta pelo Socialismo. Lutamos, também, por ser “homens de fibra especial, feitos de trama especial”. Para nós, também, “não há nada superior ao título de membros do Partido Comunista”.

As vitórias do Partido Bolchevique foram possíveis porque, como Partido da classe operária, estava ele de posse da teoria de vanguarda do movimento operário – a teoria marxista-leninista.

Nenhum Partido Comunista poderá cumprir a sua missão de dirigente de classe do Proletariado se não estiver armado com o Marxismo-Leninismo, que lhe dá os meios “para se orientar dentro da situação, de compreender a ligação interna que une os acontecimentos que os cercam, de prever a marcha dos acontecimentos e discernir, não só como e para onde se desenvolvem os acontecimentos no presente, como também para onde irão se desenvolver no futuro”.

E assim, o genial guia do Partido Bolchevique, em 1917, Lenin – de posse do Marxismo que enriqueceu poderosamente – do seu pequenino quarto do Instituto Smolny, dirigiu os acontecimentos insurrecionais de outubro de 1917, que deram o poder aos Sovietes. Lenin, o revolucionário e o cientista, forjou o Partido Comunista da URSS, que, posteriormente, sob a direção firme e magnífica de Stalin, assegurou a conquista definitiva do Socialismo na União Soviética.

De nada valeram as maquinações e os ataques de todas as forças reacionárias coligadas contra a nascente República Soviética. Foram derrotados os generais brancos, os intervencionistas, todos os inimigos internos e externos do Poder Soviético. Ultrapassado o duro período do comunismo de guerra, a URSS, através de seus planos quinquenais, entrou em pleno período do Socialismo, numa sociedade sem classes, onde o Estado só existe em função da existência dos países capitalistas.

A URSS, com o proletariado no poder, que realizava uma nova civilização, defendeu sempre e ardorosamente a paz. Opôs-se tenazmente à guerra, por todos os meios, sustentando em 1933 desde a subida de Hitler ao poder na Alemanha, a necessidade de todos os povos amantes da liberdade se unirem para barrar o caminho do fascismo, que ameaçava a independência e soberania de povos livres e pacíficos. É por demais conhecida a atuação de Litivinov na Liga das Nações, lutando pela “paz una e indivisível”, desmascarando os manejos imperialistas da Alemanha Hitlerista e da Itália fascista e as vacilações dos capitulacionistas chamberlanianos.

Somente um país como a União Soviética poderia defender com tanta consequência a paz contra a agressão fascista.

A democracia proletária coloca-se decididamente contra as guerras de rapina e esta só poderia ser a posição do Poder Soviético.

Por isso, as hordas hitleristas – brigada de choque da reação em todo o mundo, - se lançaram cheias de ódio contra a Pátria do Socialismo, no ataque traiçoeiro e brutal de 22 de junho de 1941. E os povos soviéticos, cujas realizações durante a paz no terreno da indústria e da agricultura, da ciência e da técnica, assombraram toda a Humanidade, demonstraram na guerra Patriótica contra o nazismo, capacidade para levar a efeito realizações ainda maiores. Sob a direção direta do grande Stalin – o generalíssimo da Vitória – o glorioso Exército Vermelho, filho da grande Revolução de Outubro de 1917, obteve as maiores vitórias militares da História, que selaram definitivamente o destino irremediável da Wehermacht, principalmente depois da abertura da 2a. Frente pelos anglo-americanos.

Isto tudo se deu graças à insurreição de Outubro de 1917, que deu a vitória ao proletariado. Sem Outubro de 1917 não se construiria o socialismo, não se possuiria um Exército Vermelho que garantiu a vitória dos povos soviéticos.

Agora, com a vitória militar sobre o fascismo, resta ainda aniquilá-lo moral e politicamente. E a União Soviética é uma garantia para os povos de que assim acontecerá. Mais uma vez os princípios que nortearam os operários de Petrogrado inspirarão a política soviética, que neutralizará todos os manejos dos provocadores de novas guerras, que procuram intrigar a URSS com a Inglaterra e os EE.UU., tentando solapar uma amizade que foi forjada com o sangue dos soldados derramado nos campos de batalha do combate ao fascismo.

 

No Brasil pela primeira vez comemorou-se legalmente a data de 7 de Novembro. Nada mais justo do que essa comemoração, porque 7 de Novembro não é unicamente uma data dos povos soviéticos, mas dos povos amantes da liberdade do mundo inteiro.

Comemoramos, e continuaremos a comemorar, o despertar do mundo para o socialismo com o mesmo ardor e entusiasmo com que nos regozijamos pelos grandes acontecimentos da História.

Consideramos a queda do czarismo na antiga Rússia como um fato histórico que interessa a todos os povos progressistas, como interessa a Grande Revolução Francesa, que significou um grande passo no caminho do progresso da Humanidade.

É portanto, com o mais profundo sentimento patriótico, que saudamos o 7 de Novembro, justamente no instante que o povo brasileiro está lutando corajosamente para garantir a Democracia em nossa Pátria contra os manejos dos remanescentes do fascismo, que tudo fazem para impedir a marcha do país no sentido de sua democratização.

Maurício Grabois, Da Comissão Executiva do PCB

Publicado em Tribuna Popular no. 146, Rio de Janeiro, sábado, 10/11/1945.