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Consequências do esquerdismo na eleição chilena

José Reinaldo Carvalho Publicado em 18.12.2017

Amarga experiência chilena deve servir de lição para os embates de 2018 na América Latina. Observando de fora, constatamos que a direita polarizou o voto centrista, ao passo que as forças progressistas revelaram debilidades fatais

Foto: A atual presidente, Michelle Bachelet, com Alejandro Guillier

O magnata direitista Sebastián Piñera foi eleito neste domingo para mais um mandato presidencial no Chile. Obteve 54,5% dos votos, contra 45,5% do seu adversário, o jornalista e senador Alejandro Guillier, da coalizão governamental de centro-esquerda. A abstenção, de 52%, claramente foi um fator que pesou no resultado final. Piñera se impôs em centros estratégicos, como a capital Santiago, onde a abstenção fez a diferença.

A vitória da direita no Chile torna ainda mais nebuloso o quadro político na região, onde as forças conservadoras já estão no poder em países como Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Peru, México, para citar os mais importantes. Um cenário perigoso para os movimentos e governos revolucionários.

As forças progressistas chilenas se debruçarão sobre o resultado e retirarão as lições da derrota.

Observando de fora, porém, constatamos que a direita polarizou o voto centrista, ao passo que as forças progressistas revelaram debilidades fatais.

A centro-esquerda foi, a rigor, mais centro do que esquerda. Carregava o desgaste do governo cessante da presidenta Michelle Bachelet. Na campanha eleitoral não conseguiu transmitir uma mensagem de esperança, avanço e luta. Iludiu-se com a quimera de uma vitória pelo caminho da moderação e do compromisso. Não empolgou.

Por seu turno, a nova esquerda radical, organizada na Frente Ampla, que se tornou retumbante fenômeno eleitoral no primeiro turno, negou-se a pronunciar-se claramente em favor de Alejandro Guillier. Não fez campanha no segundo turno, optou por um deplorável e daninho absenteísmo, limitando-se a vagas declarações de voto por parte de alguns dos seus líderes.

Uma amarga experiência a demonstrar que para vencer a esquerda precisa de nitidez programática e postura de luta, sob pena de confundir-se com as forças conservadoras e deixar o povo na desesperança. Acima de tudo, impõe-se a unidade democrática, progressista, popular, patriótica, pois vai ficando evidente que a fragmentação da esquerda pavimenta o caminho da derrota do povo.

Em 2018 teremos importantes embates eleitorais na América Latina. Fica a dica. Que as forças progressistas sejam capazes de tirar as lições pertinentes.

(*) Jornalista, editor do Resistência, traduzido por Opera Mundi