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Atentados buscam clima para tumultuar as eleições

Walter Sorrentino Publicado em 28.03.2018

Diversos episódios violentos em apenas um mês são “marcadores” que indicam um tumor em expansão, fartamente irrigado, certamente maligno. O tumor fascista que atenta contra a democracia, instila o ódio e a intolerância.

Os acontecimentos em curso têm lógica, motivação e, não me perguntem como, comando de execução.

Tiros na caravana de Lula, ex-presidente a quem se deve assegurar a proteção do Estado; tiros que mataram Marielle Franco no Rio, em aberta provocação à democracia e às Forças Armadas; e as pressões ameaçadoras sobre a família do Ministro Edson Fachin do STF, são “marcadores” que indicam um tumor em expansão, fartamente irrigado, certamente maligno.

O tumor fascista que atenta contra a democracia, instila o ódio e a intolerância. Facínoras covardes apertam os gatilhos, como os do antigo Comando de Caça aos Comunistas, ou manipulam os cordéis. E as instituições, ou melhor, aqueles que devem zelar pelas instituições e pelo Estado democrático de direito?

As respostas que se apresentaram por parte dos setores governantes deixam qualquer um pasmo. O governo Temer omisso em suas obrigações, o Congresso paralisado, o Judiciário perdido em disputas ao sabor de interesses políticos indevidos. E a Segurança Pública? Tomei conhecimento de uma declaração de integrante da PM que fazia a manutenção da ordem no evento com Lula em São Leopoldo (RS): “Vocês estão aqui hoje e amanhã já se vão. Os manifestantes (pedras e ovos) ficarão aqui e eu terei que conviver com eles o resto do tempo. Fazer o quê?” Aí reside a mais completa desordem institucional.

A maior demonstração do transformismo que é – como tenho afirmado reiteradamente – tais forças se apresentarem como “centristas” no espectro político foram declarações de Alckmin e Dória incendiando a pradaria. Foi digno dos mais indignos atestados de recusa do pacto democrático que a nação requer. O desdém deles e outros são adubos para o caos. Saudades de Mario Covas ou de Claudio Lembo, que tinham de fato a convicção democrática.

O mais importante é que esse curso das coisas integra um quadro mais largo e fundo, que é tumultuar as eleições, cevar medidas excepcionais contra sua realização. Como sempre dissemos, eleições livres não estão asseguradas! Portanto, as respostas precisam ser largas e fundas, ir muito além da polarização entre esquerda e fascistas.

A hora é grave, poucas vezes se assiste a esse estado de coisas na vida de nações grandes e complexas que vivem em ambiente democrático. Os democratas não podem assistir a isso distraidamente. Eleições livres serão o antídoto mais imediato, não só em defesa da ordem constitucional como também fator de mobilização política do povo brasileiro em torno de esperanças de um novo futuro.

Walter Sorrentino é vice-presidente do PCdoB e membro do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois.