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Progresso técnico e agricultura 

Roberto César Cunha e Carlos José Espíndola Publicado em 30.11.2018

O progresso técnico na agricultura contribui para o acirramento da concorrência intercapitalista. Trata-se de inovações nos setores da química fina, da biotecnologia, da microeletrônica, da mecânica embarcada, da transgenia, da edição gênica (não há transferência de um gene de uma espécie estrangeira, como ocorre com os transgênicos, sob suas várias formas - fusão de protoplastos, cisgenesis, técnicas de oligonucleotídeos, CRISPR-Cas9 - utilizada no melhoramento genético de plantas) entre outros setores. Isto é, o progresso técnico na agricultura é ciência aplicada em sua essência, como fruto de um processo social e não de lampejos de genialidade individual.

A história do progresso técnico é inseparável da história da humanidade, pois dependeu e depende dos esforços do homem para aumentar a produtividade sob condições ambientais diversas.  Em termos gerais, o progresso técnico compreende certos conhecimentos que produzem, a partir de uma certa quantidade de recursos, um maior volume do produto e um produto qualitativamente superior. O processo de seu desenvolvimento é eminentemente cíclico regido por ondas de inovações tecnológicas, caracterizadas por continuidade e descontinuidade em sua trajetória. O progresso técnico carrega em si elementos culturais, políticos, religiosos, econômicos e científicos forjados da existência social.

Na agricultura a incorporação do progresso técnico possibilitou o aumento da divisão do trabalho, a especialização produtiva, a concentração da produção, a criação de trabalhadores especializados e uma gradativa redução das interferências do meio ambiente na elaboração de um novo produto. Neste processo, a agricultura passou a ser parte integrante da indústria à medida de que não apenas demanda inovações como induz à indústria novos processos e novos produtos, visando o aumento de produtividade; a produção em escala; os ganhos financeiros e econômicos; as possibilidades de exploração em diversos tipos de áreas pequenas, grandes, planas e acidentadas, baixa e alta fertilidade, etc.

Além disso, o progresso técnico na agricultura contribui para o acirramento da concorrência intercapitalista. Trata-se de inovações nos setores da química fina, da biotecnologia, da microeletrônica, da mecânica embarcada, da transgenia, da edição gênica (não há transferência de um gene de uma espécie estrangeira, como ocorre com os transgênicos, sob suas várias formas - fusão de protoplastos, cisgenesis, técnicas de oligonucleotídeos, CRISPR-Cas9 - utilizada no melhoramento genético de plantas)  entre outros setores. Isto é, o progresso técnico na agricultura é ciência aplicada em sua essência, como fruto de um processo social e não de lampejos de genialidade individual.

Cada setor agroindustrial apresenta uma forma específica de trajetória tecnológica. No Brasil, as regiões produtoras de soja diferenciam-se nas estratégias de produção, pois cada uma apresenta necessidades discrepantes uma da outra, como luz solar, solos e seus nutrientes, temperatura, umidade, relevo, etc. O progresso técnico foi um determinante fundamental para o sucesso da agricultura no país. Entretanto, as condições naturais constituem, ainda, elemento indispensável da produtividade agrícola e da produtividade do trabalho.

Com isso, a combinação entre progresso técnico, evolução econômica e social, e características naturais de cada região é fundamental para se entender os sistemas de produção agrícola. A agricultura de grãos e fibras no Maranhão é um sucesso, porém, as lavouras de frutas, legumes e verduras são um desafio a se enfrentar de maneira séria e sem paixão ideológica.

O novo é aquilo que ainda não foi feito. Novas ideias são aquelas que chocam, que interpretam os esforços do passado sendo o único acesso para os futuros esforços. Sem medo do pelourinho da história e do isolamento político, é preciso buscar a essência e não o sucesso efêmero da aparência. Como disse Hegel na Filosofia do Direito “a coruja de Minerva só abre as asas ao cair da noite”.

Roberto César Cunha é geógrafo, mestre e doutorando em Geografia - UFSC

Carlos José Espíndola é geógrafo, mestre e doutor em Geografia - USP