Áudios

A Internacional Comunista Conclama a Unidade Popular Contra o Fascismo

Augusto Buonicore Publicado em 07.11.2016

Entrevista com Georgi Dimitrov, presidente da Internacional Comunista.

Dimitrov

O ambiente do lado de fora daquele imenso salão, onde havia acabado de se reunir a plenária final do VII Congresso da Internacional Comunista, estava bastante agitado e tomado por um esfuziante otimismo – como se a esperança tivesse vencido o medo. Os delegados de vários países se despediam e desejavam boa sorte. Mas, infelizmente, muitos deles não poderiam deixar o solo soviético porque seus países eram como pátrias ocupadas por um exército invasor. Lá o fascismo havia chegado ao poder e esmagado todo e qualquer vestígio de liberdade democrática. Entre aqueles rostos variados, representando quase todos os povos da terra, também era possível notar a ausência de vários dirigentes comunistas, como Gramsci e Thaelmann, que padeciam em prisões fascistas.

O jovem jornalista brasileiro não conseguia esconder seu nervosismo – e certa ponta de orgulho – por estar na presença daqueles que eram os representantes da vanguarda do proletariado mundial. O seu objetivo era conseguir uma entrevista exclusiva com o presidente da Internacional e o responsável pela apresentação do principal informe daquele conclave memorável: Georgi Dimitrov.

Dimitrov tornou-se mundialmente conhecido quando, em 1933, no Tribunal de Leipzig enfrentou de maneira altiva as falsas acusações nazistas de que os comunistas haviam incendiado o Reichstag. Passados poucos anos, ele já era, ao lado de Stalin, uma das figuras mais conhecidas e respeitadas do movimento comunista internacional. A ele, pretensiosamente, o jovem jornalista brasileiro pretendia entrevistar e, talvez, trocar algumas impressões sobre o quadro mundial.

Um funcionário franzino e muito amável conduziu-o até a sala da presidência e, num espanhol arrastado, pediu-lhe que esperasse um pouco. Cerca de meia hora depois – um tempo infindável para aquele rapazote, mas uma fração de tempo insignificante para a revolução mundial – entrou na sala o eminente dirigente comunista acompanhado de um intérprete, o mesmo funcionário que o conduzira até ali.

Sentaram-se num amplo e confortável sofá. Dimitrov, calmamente, deu uma grande tragada em seu cachimbo e uma fumaça de aroma suave tomou conta do salão. Depois olhou, com um ar paternal, o inseguro jornalista e exclamou sorridente: “vamos começar a entrevista?! Afinal, é para isso que estamos aqui”. Sim, era para isso que estavam ali. O jovem pigarreou e, quase balbuciando, deu início às primeiras perguntas. Este 20 de agosto de 1935 seria, definitivamente, o seu dia de glória.

Pergunta: O principal informe desse congresso versou sobre o fascismo e a necessidade e os meios de combatê-lo. Por que isso? O fascismo não representa apenas uma simples mudança na forma de dominação burguesa? Então, por que colocá-lo como o “pior inimigo da classe operária”?

Dimitrov: A subida do fascismo ao poder não é uma simples mudança dum governo burguês, mas sim, a substituição de uma forma estatal de dominação de classe da burguesia – a democracia burguesa – por outra das suas formas, a ditadura terrorista declarada. Ignorar essa diferença seria um grave erro que impediria o proletariado revolucionário de mobilizar as mais amplas camadas de trabalhadores da cidade e do campo contra a ameaça de tomada de poder pelos fascistas, assim como tirar proveito das contradições existentes no seio da própria burguesia.

P. O que representa o fascismo no poder? Existem diferenças entre os diversos tipos de fascismo na atualidade?

Dimitrov: O fascismo é a ditadura terrorista aberta dos elementos mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro. A sua variedade mais reacionária é o alemão. Este atua como tropa de choque da contrarrevolução internacional, como incendiário principal da guerra imperialista, como instigador da cruzada contra a União Soviética.

P. O que permitiu que o fascismo chegasse ao poder em tantos países? Qual responsabilidade cabe aos social-democratas e aos comunistas?

Dimitrov: Os motivos são vários. O fascismo chegou ao poder, antes de mais nada, porque a classe operária achava-se dividida, desarmada política e organicamente frente à burguesia que partia para a ofensiva. Triunfou também porque o proletariado se encontrava isolado dos aliados naturais, os camponeses e a pequena-burguesia urbana. Quanto às responsabilidades da social-democracia só tenho a dizer que: se no ano de 1918, quando a revolução explodiu na Alemanha e na Áustria, o proletariado tivesse marchado pelo caminho dos bolcheviques russos, hoje não haveria fascismo. Não seria a burguesia, mas sim, a classe operária, a dona da situação na Europa. Nas nossas fileiras, por outro lado, existia a inconcebível subestimação do perigo fascista que, até o presente momento, não foi liquidado. 

P. Teriam predominado o esquerdismo e o sectarismo nas fileiras comunistas?

Dimitrov: Sim! O esquerdismo entre nós já não é uma “doença infantil”, como dizia Lênin, mas um vício arraigado, e sem nos livrarmos dele não poderemos criar uma Frente Única. Na situação atual, o sectarismo orgulhoso, satisfeito da sua estreiteza doutrinária, satisfeito com seus métodos simplistas para tentar resolver problemas complicados – sob a base de esquemas cortados por um modelo pronto, distanciado da vida real das massas –, entorpece nosso esforço de construir a Frente Popular.

P. A partir da experiência histórica acumulada, você acha que teria sido possível ter impedido a ascensão do fascismo?

Dimitrov: Isso dependia antes de tudo da combatividade e da coesão das suas forças proletárias contra a ofensiva do capital e do fascismo. Dependia de uma política justa em relação a seus aliados naturais: o campesinato e a pequena-burguesia urbana. Dependia da ação do proletariado, não deixando ao fascismo a iniciativa; dando-lhe golpes decisivos, fazendo-lhe frente a cada passo e não lhe permitindo conquistar posições. Advirto ainda que, atualmente, não devemos alimentar ilusões de que o fascismo cairá por si mesmo. Só a atividade revolucionária da classe operária contribuirá para que os conflitos que surgem inevitavelmente no campo da burguesia sejam aproveitados para minar a ditadura e derrubá-la.

P. Depois de anos de ásperos conflitos, a Internacional Comunista sinalizou para uma aproximação com a II Internacional. Parece-me que isto é uma tática justa para enfrentar a ofensiva do fascismo mundial. Mas isto não seria tarde demais? A simples somatória dos membros das duas Internacionais seria ainda suficiente para barrar a onda reacionária?

Dimitrov: Declaramos que a Internacional Comunista e as suas seções estão dispostas a entrar em negociação com a II Internacional e as suas seções respectivas para a criação da unidade da classe operária na luta contra a ofensiva do capital, contra o fascismo e contra a ameaça de uma guerra imperialista. Acredito que as ações conjuntas das ambas internacionais não se limitariam a exercer influência sobre os seus atuais membros, exerceriam também uma influência poderosa nas fileiras dos operários católicos, anarquistas e entre os não-filiados, inclusive sobre aqueles que, momentaneamente, têm sido vítimas da demagogia fascista. Ainda mais: a potente Frente Única do proletariado exerceria uma enorme influência sobre todas as demais camadas do povo trabalhador; sobre os camponeses, sobre a pequena burguesia urbana e sobre os intelectuais.

P. Existiu resistência dos comunistas em trabalhar junto com os social-democratas e estabelecer um programa mínimo de ação conjunta?

Dimitrov: Antes, muitos comunistas temiam que fosse uma manifestação de oportunismo de sua parte o fato de não contraporem a cada reivindicação parcial dos social-democratas as suas próprias reivindicações duas vezes mais radicais. Isso foi um erro ingênuo. Se os social-democratas reclamavam, por exemplo, a dissolução das organizações fascistas, nós não temos por que ajuntar “e a dissolução da polícia do Estado também”. Deveríamos dizer aos operários, em vez disso: estamos dispostos a aceitar esta reivindicação do vosso partido como reivindicação da Frente Única do proletariado e lutar até o fim para conquistá-la. Empreendamos a luta juntos!

P. Qual é a grande tarefa do movimento comunista no presente momento?

Dimitrov: Temos como tarefa especialmente importante a criação de uma extensa frente popular antifascista sobre a base da Frente Unida proletária. O êxito da luta do proletariado está intimamente ligado à criação da aliança do proletariado com o campesinato trabalhador e com as massas mais importantes da pequena burguesia urbana, que formam a maioria da população, inclusive nos países industrialmente desenvolvidos. 

P. Poderia exemplificar esta ideia em propostas concretas para alguns países?

Dimitrov: Exemplifico. No caso dos Estados Unidos poderia ser a criação de um partido de massas dos trabalhadores, partido de operários e pequenos proprietários rurais (farmers). Esse partido seria uma forma específica de frente popular de massas na América do Norte. Ele não será, naturalmente, nem socialista nem comunista. Mas, teria de ser um partido antifascista. Na Inglaterra, por exemplo, estamos dispostos a apoiar a formação de um governo trabalhista. Não esperamos dele que realize medidas socialistas e sim que defenda os interesses econômicos e políticos dos trabalhadores e faça frente à ofensiva do capital e do fascismo e à preparação de uma nova guerra imperialista. 

P. Isso não faria os comunistas perderem a sua fisionomia e serem tragados pelo possibilismo reformista social-democrata?

Dimitrov: Este é sempre um risco. Por isso os comunistas não podem renunciar, nem por um minuto, a seu trabalho próprio e independente de educação comunista, de organização e mobilização das massas. Sem abrir mão de firmar acordos de curto e longo prazo sobre ações comuns com partidos social-democratas, sindicatos reformistas e demais organizações dos trabalhadores contra os inimigos da classe operária. Ao mesmo tempo em que cumprimos lealmente as condições de acordos firmados com eles, desmascararemos implacavelmente qualquer sabotagem cometida contra as ações conjuntas por aqueles que tomam parte na Frente Única.

P. Até hoje os comunistas têm se recusado a apoiar e participar de governos nos marcos do capitalismo. Eu pergunto: se nas atuais condições se formassem governos antifascistas – de caráter não socialista – os comunistas estariam dispostos a apoiar e até participar deles?

Dimitrov: Por exemplo, se o movimento antifascista na França levasse à formação de um governo que lutasse contra o fascismo de modo efetivo, um governo que pusesse em prática o programa de reivindicações de frente popular antifascista, os comunistas, sem deixarem de ser partidários do poder soviético, estariam dispostos, ante o crescente perigo fascista, a apoiar tal governo. Vou mais longe: Se nos perguntam, a nós, comunistas, se lutamos sobre o terreno da frente unida somente por reivindicações parciais ou estamos dispostos a compartilhar as responsabilidades caso se atinja a formação de um governo de frente unida, diremos, com plena consciência de nossas responsabilidades: sim! (...) se produzir uma situação na qual a criação de um governo de frente popular antifascista seja não somente possível, mas indispensável, no interesse do proletariado, aceitamos esta eventualidade e, sem nenhuma vacilação, nós nos declaramos a favor da criação desse governo. 

P. Esta proposta de governo de Frente Popular não pode ser confundida com as teses reformistas de uma possível “transição pacífica ao socialismo”, através da legalidade democrática burguesa? Falar em buscar “formas de transição” e de “aproximação” não é cair na velha cantilena reformista e romper com as teses leninistas?

Dimitrov: Bobagem! Há 15 anos, Lênin nos convidava a concentrar toda a atenção em “buscar formas de transição ou de aproximação da revolução proletária”. Pode ocorrer que o governo da Frente Única seja, numa série de países, uma das formas transitórias mais importantes. Os doutrinários de “esquerda”, por um lado, sempre menosprezam esta importante indicação de Lênin, falando somente do “objetivo”, como propagandistas limitados, sem preocupação com as “formas de transição”. Por outro, os oportunistas de direita (reformistas) tentaram estabelecer uma “fase democrática intermediária”, especialmente entre a ditadura da burguesia e a ditadura do proletariado para sugerir à classe operária a ilusão de uma passagem parlamentar pacífica de uma ditadura para outra. A esta “fase intermediária”, “fictícia”, chamavam também de “forma de transição” e inclusive invocavam o nome de Lênin. Mas não foi fácil cobrir a fraude, pois Lênin falava de uma forma de transição e de aproximação da “revolução proletária”, isto é da derrubada da ditadura burguesa e não de uma forma transitória qualquer entre a ditadura burguesa e a proletária.

P. Como fica o Partido no seio da Frente Única? Deve reduzir sua visibilidade para não estreitá-la? Deve utilizá-la para crescer suas fileiras?

Dimitrov: Quando nós comunistas fazemos todos os esforços para estabelecer a Frente Única não o fazemos de um ponto de vista mesquinho de recrutamento de novos filiados para o Partido Comunista. Mas, precisamente por que queremos fortalecer seriamente a Frente Única devemos fortalecer também, em todos os aspectos, o Partido Comunista e aumentar seus efetivos. O fortalecimento dos partidos comunistas não representa os interesses limitados do Partido, mas sim, um interesse de toda a classe operária. De fato, existem nas nossas fileiras camaradas que defendem a diminuição do papel do Partido Comunista na Frente Única e passam a conciliar com a ideologia social-democrata. Este desvio de direita também deve ser duramente combatido.

P. O movimento sindical é a base de qualquer projeto bem sucedido de Frente Única do proletariado e hoje ele está bastante dividido. Qual a saída?

Dimitrov: Saudamos a proposta da Internacional Sindical Vermelha à Internacional de Amsterdã de iniciar a discussão conjunta sobre as condições, os métodos e as formas de unificação do movimento sindical mundial. Defendemos que os pequenos sindicatos vermelhos se integrem aos grandes sindicatos reformistas, ligados à Central social-democrata. Nos países que existem grandes sindicatos vermelhos e reformistas conclamamos a convocação de congressos de unificação sobre uma plataforma de luta contra a ofensiva do capital e a salvaguarda da democracia sindical.

P. E nos países sob a dominação fascista, onde não existe liberdade sindical e os sindicatos são meros aparelhos do Estado? Neste caso, como pensar em construir um embrião de unidade proletária antifascista?

Dimitrov: Aqui seguimos os ensinamentos de Lênin. Para os comunistas dos países fascistas é de capital importância estar em todas as partes onde estão as massas. O fascismo retirou dos operários as suas próprias organizações legais. O fascismo lhes impôs as organizações fascistas por meio da violência e nestas encontram-se, seja pela força ou, em parte, voluntariamente. Estas organizações de massa do fascismo podem e devem ser o nosso campo legal de operação, a partir do qual entraremos em contato com a massa. Quem não compreende a necessidade de empregar uma tática semelhante com respeito ao fascismo, quem considera tal atuação “humilhante”, poderá ser um excelente camarada, mas, se me permitam que o diga, é um charlatão e não um revolucionário; ele não saberá conduzir as massas para a derrubada da ditadura fascista.

P. Por fim, quero abordar uma questão sempre delicada para os comunistas e internacionalistas: a questão nacional. Os fascistas, me parece, usaram e abusaram dela na sua demagogia para ganhar as massas populares. Qual deveria ter sido a posição dos comunistas diante desse problema crucial?

Dimitrov: É verdade. Os fascistas revolveram a história de cada povo para se apresentarem como herdeiros e continuadores de tudo o que havia de heroico no seu passado. Os comunistas acabaram, inconscientemente, contribuindo para isto. Assim, aqueles que não fazem nada para esclarecer diante das massas trabalhadoras o passado do seu próprio povo, com toda fidelidade histórica e sob a perspectiva marxista-leninista, e não buscam ligar a luta atual com as tradições revolucionárias do passado, entregam voluntariamente aos falsificadores fascistas tudo o que há de valioso no passado histórico da nação. Nós, os comunistas, devemos ser inimigos irreconciliáveis do nacionalismo burguês, mas quem pensa que isto lhes permite cuspir na cara de todos os sentimentos nacionais das massas trabalhadoras está muito longe do bolchevismo e não compreendeu nada dos ensinamentos de Lênin sobre o problema nacional. O internacionalismo proletário deve “aclimatar-se” a cada país e lançar raízes profundas no solo natal. As formas nacionais, de que se reveste a luta proletária em cada país, não estão em contradição com o internacionalismo proletário, mas, ao contrário, é precisamente sob estas formas que se pode defender também, com êxito, os interesses internacionais do proletariado.

P. A mesma coisa você poderia dizer sobre as conquistas democrático-burguesas?

Dimitrov: Exatamente. Nós somos partidários da democracia soviética, da democracia dos trabalhadores – a democracia mais consequente do mundo. Mas, defendemos nos países capitalistas, palmo a palmo, as liberdades democrático-burguesas combatidas pelo fascismo e a reação burguesa. Nós não somos anarquistas e não nos pode ser, de maneira alguma, indiferente qual regime político impera num dado país; se a ditadura burguesa em forma de democracia burguesa, ou a ditadura burguesa na sua forma mais descarada, fascista. Sem deixarmos de ser partidários da democracia soviética, defenderemos palmo a palmo as condições democráticas arrebatadas pela classe operária durante anos de luta acirrada e lutaremos decididamente por ampliá-las. O proletariado de todos os países verteu muito sangue para conquistar as liberdades democrático-burguesas e, é óbvio, que lute com todas as suas forças para conservá-las. 

P. Qual seria a sua última mensagem ao proletariado do Brasil e do mundo?

Dimitrov: Que não desanimem diante do quadro mundial adverso. Lembrem-se sempre que a seu favor trabalha toda a marcha do desenvolvimento histórico. Os reacionários, os fascistas de todas as cores, a burguesia do mundo inteiro, se esforçam em vão para voltar para trás a roda da história. Mas esta roda gira e continuará girando em direção da vitória definitiva do socialismo. Entretanto, ainda falta uma coisa: a unidade dentro de suas fileiras proletárias. Por isso devemos fazer ressoar com força, no mundo inteiro, o grito de guerra da Internacional, o grito de Marx, Engels e Lênin: “Proletários de todos os países, uni-vos!”.

A entrevista chegou ao final. Entrevistado e entrevistador despediram-se com um longo e caloroso aperto de mão. Dimitrov desejou sucesso ao proletariado brasileiro e a seu partido. Vaticinou sorridente a breve derrocada do nazifascismo. Carlos – este era o seu nome – sabia que inúmeras e grandiosas tarefas esperavam aquele dirigente da Internacional e não queria mais atrapalhá-lo. O seu pensamento, rapidamente, voou até seu distante Brasil. Lembrou-se da Batalha na Praça da Sé, ocorrida no ano anterior, na qual o povo pôs para correr os integralistas e também dos primeiros comícios da Aliança Nacional Libertadora. O pessimismo, que chegou a atormentar seu espírito indomável, foi dissipado naqueles dias em Moscou. O futuro, definitivamente, não pertenceria ao fascismo. 

Moscou – 20 de agosto de 1935.

Nota 1: Esta entrevista não foi publicada no Brasil. Quando Carlos estava na URSS o governo Vargas aprovou a Lei de Segurança Nacional e fechou a Aliança Nacional Libertadora. Um mês depois de sua chegada, uma insurreição, comandada por Prestes, foi derrotada e nosso jovem repórter, ao lado de milhares de outros cidadãos, foi encarcerado. Dizem que, mesmo assim, ele não perdeu a esperança e continuou repetindo: “o futuro não pertencerá ao fascismo”.

Nota 2: O jornalista e a entrevista nunca existiram, mas as respostas de Dimitrov foram extraídas do seu famoso informe A Ofensiva do fascismo e as tarefas da Internacional Comunista,  pronunciado em 4 de agosto de 1935. O responsável pelo texto é Augusto C. Buonicore, historiador, presidente do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois. E autor dos livros Marxismo, história e a revolução brasileira: encontros e desencontros, Meu Verbo é Lutar: a vida e o pensamento de João Amazonas e Linhas Vermelhas: marxismo e os dilemas da revolução. Todos publicados pela Editora Anita Garibaldi.