Especiais - Domenico Losurdo, a esquerda presente e anti-imperialista

Ouça entrevista de Losurdo à Fundação Santo André

Cezar Xavier Publicado em 24.06.2015

No sábado, 13 de junho, o filósofo italiano Domenico Losurdo palestrou no auditório da Faculdae de Filosofia da Fundação Santo André (FAFIL-FSA), que estava completamente lotado. O evento marcou também o lançamento de suas obras mais recentes: A Luta de Classes - Uma História Política e Filosófica e Marx e o Balanço Histórico do Século XX, pela Editora Boitempo, e da Revista Cadernos de Ciências Sociais, n. 4, editada pelo Colegiado de Ciências Sociais da FSA.

Com um sotaque italiano muito característico, somado aos gestos comuns com as mãos, que marcam os italianos quando falam, seu discurso foi traduzido simultaneamente por um intérprete que procurava passar a mesma emoção apresentada pelo palestrante.

Ouça a entrevista:

Esquerda brasileira e europeia

Perguntado pela FSA sobre as diferenças da "esquerda" brasileira em relação à europeia, o filósofo afirmou que na Europa, a esquerda ainda sofre as consequências da queda do Muro de Berlin em 1989. Para ele, desde então, a esquerda sofreu, e ainda tenta se recuperar. Losurdo não vê uma luta anti-imperialista na Europa, como acontece no Brasil e na América do Sul. "No Brasil, é o contrário. É muito forte o envolvimento contra o imperialismo, e isto não existe mais na Europa neste momento", comentou.

Imigrações ilegais na Europa 

A reportagem da FSA perguntou ao filósofo sobre o papel dos partidos de esquerda para apoiar a onda de imigrantes ilegais na Europa, pois somente no primeiro trimestre deste ano, cerca de 60 mil pessoas chegaram ilegalmente à Europa, tudo isso causado pelos conflitos no Oriente Médio (em especial o caos na Líbia e Síria); a pressão demográfica na África; a crescente capacidade da indústria dos traficantes de pessoas e as próprias dificuldades da UE para administrar este problema.

Losurdo informou que há muita confusão na esquerda neste momento sobre este tema. "A Europa tem uma obrigação com estes povos, uma obrigação história e moral com todos os povos que estão sofrendo. Os Estados Unidos e a Europa devem ajudá-los por conta das guerras que promoveram nestes países", disse.

O filósofo afirmou ainda que a única solução para estes países é por meio de um desenvolvimento econômico e social. "Deve acontecer um espírito de solidariedade para com estes imigrantes e a obrigação da esquerda é a de expressar toda a solidariedade e também a de acompanhar para que seja construído um desenvolvimento real nestes países, mas sem as ameaças de intervenção da OTAN", finalizou.