Especiais - PCdoB, 96 anos de luta

A importância da Revolução Russa para o PCB

Marly Vianna Publicado em 22.03.2018

Leia o artigo publicado em 100 anos da Revolução Russa, legados e lições, publicado pela Fundação Maurício Grabois e a editora Anita Garibaldi, com primeira edição em março de 2017, organizado por Osvaldo Bertolino e Adalberto Monteiro.

Foto: ilustração de Mazé Leite

A Revolução Russa de outubro de 1917 foi o acontecimento mais importante da história do século XX. Como já foi muitas vezes dito, pela primeira vez na história da humanidade os operários e o povo mais simples chegaram ao poder, não por um golpe ou uma eventualidade: a Revolução Socialista Soviética, dirigida pelos comunistas bolcheviques, mobilizou a imensa maioria da população do Império czarista.

Não foi somente a tomada do poder pelo proletariado. Houve uma inovadora organização popular revolucionária, os sovietes, que empolgaram e fizeram com que participassem da direção do processo revolucionário não só operários, mas camponeses, soldados, marinheiros e diferentes camadas da população menos favorecida. Buscavam – e conseguiram – paz, pão, terra e liberdade.

Foi uma façanha extraordinária, quase inacreditável, vencer os exércitos coligados da Entente que, mal terminada a Grande Guerra, atacaram a recém-formada República Soviética por todas as suas fronteiras. A construção do socialismo, consolidar o proletariado no poder vencendo a burguesia, custou sacrifícios imensos, numa sangrenta guerra civil que durou quase quatro anos, exaurindo as forças dos revolucionários. Milhares deles pereceram num esforço hercúleo para vencer a luta – e venceram.

Tais acontecimentos, que repercutiram no mundo todo, não poderiam deixar de chegar ao Brasil, onde a classe operária era bastante combativa.

As primeiras lutas

A politização dos operários brasileiros foi obra dos imigrantes e da intelectualidade progressista da época. A influência estrangeira deu-se, assim, não só diretamente, pelos operários italianos, portugueses e espanhóis, destacadamente, como também, indiretamente, pelos pensadores, em especial franceses, sobre os intelectuais brasileiros. Foi o caso de Benôit-Malon, Benôit-Jules Mure (1), Louis Vauthier e Louis Blanc (os dois últimos atuando no Nordeste), entre outros, ligados ao socialismo utópico, como Benoit-Jules Mure, ou ao positivismo evolucionista, no caso de Benoit Malon. Já Louis Vauthier estava mais influenciado pelos movimentos de 1848.

O anarquismo, a doutrina que predominou no movimento operário brasileiro nos primeiros 20 anos do século XX, tinha como grandes teóricos Pierre Joseph Proudom, Mikhail Bakunin, Piotr Kropotkin, Enrico Malatesta, Eliseu Reclus e outros aqui divulgados. De Karl Marx falava-se pouco.

Quanto às tentativas de organização, Edgar Rodrigues fala da criação, em 1870-1871, de uma Liga Operária, da Sociedade Operária de Santos, em 1877 (cuja sede existe até hoje) e da União Operária, em 1880, congregando os operários do Arsenal de Marinha (2). A partir dos anos 80 do século XIX os clubes socialistas começam a aparecer nas cidades de maior nível de industrialização e concentração operária, como Rio de Janeiro, São Paulo e Santos.

As primeiras organizações operárias são de ajuda mútua e resistência. Apesar de sua coesão, eram pequenos agrupamentos, dada a fragilidade da classe, e, por isso mesmo – de início pelo menos –, as organizações que mais se destacaram foram aquelas dirigidas por intelectuais, como é o caso do Círculo, e logo depois Centro Socialista de Santos, organizado e dirigido pelos médicos Silvério Fontes, Carlos Escobar e Sóter de Araújo. Destacam-se também intelectuais como Fábio Luz, médico, professor e jornalista; Edgar Leuenroth, gráfico e jornalista; e romancistas, críticos literários e jornalistas como Lima Barreto, Raul Pompeia, Astrojildo Pereira e Octávio Brandão. Com exceção de Pompeia, foram todos anarquistas, sendo que Astrojildo Pereira e Octávio Brandão aderiram ao comunismo.

A atividade anarquista, que rejeitava organizações políticas, valorizava a atuação sindical – daí serem chamados de sindicalistas revolucionários.

Precisamos levar em conta algumas características importantes do movimento operário brasileiro que irão embasar suas atitudes políticas. No final do século XIX, quando começam a apontar as frágeis organizações operárias, a classe estava tenuemente constituída – o que corresponde a uma ainda tênue industrialização. Daí uma primeira característica, a da organização da classe, estar dirigida por intelectuais e profissionais progressistas. E tais intelectuais eram majoritariamente socialistas reformistas, evolucionistas e contra as transformações sociais revolucionárias, pregando o voto para tais transformações. No Brasil, o anarquismo tomava o lugar do “positivismo da escola de Augusto Comte, que teve papel preponderante na revolução brasileira e na derrubada do Império” (3), positivismo que, em colaboração com a maçonaria, implantou a República no Brasil (4).

Nas primeiras duas décadas do século a industrialização cresceu enormemente chegando, segundo o senso de 1907, a ter empresas com mais de mil operários (5). Uma segunda característica é a de que os operários eram, então, em sua maioria, estrangeiros, e destes, em São Paulo, quase 90% italianos. Foi nessa época que começaram a surgir organizações constituídas pela própria classe operária, que foram de início principalmente organizações de ajuda mútua.

Uma terceira característica foi a de terem sido esses operários que começaram a se unir principalmente simpáticos ao anarquismo. Uma quarta característica é a de que, ao contrário do que se tem colocado, identificando a classe operária ao anarquismo, os grupos que professavam esta ideologia eram absoluta minoria entre seus compatriotas estrangeiros e entre toda a classe operária.

A população brasileira tem ainda como predominantes os elementos incultos, provenientes do trabalho agrícola, de caráter colonial, com ressaibos de escravatura recente; e a esse elementos juntam-se, nos estados de imigração – os do Sul, especialmente – camadas novas e móveis, das quais apenas uma parte se fixa, quase sempre sem se adaptar inteiramente. (...) essas camadas instáveis são, em grande parte, constituídas por trabalhadores rústicos, saídos de regiões atrasadas e miseráveis.

Os imigrantes têm, em geral, um escopo único: o amontoamento de um pecúlio para regressar à pátria. Pelo menos é esse, muitas vezes, o seu pensamento exclusivo. Tal estado de espírito, somado à estranheza do novo ambiente, à incerteza causada na vida pela instabilidade da situação econômica e do lugar de residência, às diferenças de língua e às influências do clima não favorece, naturalmente a propaganda e ação de qualquer doutrina social (6).

Em quinto lugar, justamente esses grupos mais politizados e que maior influência tinham na classe eram ou totalmente contra qualquer tipo de organização em geral, ou – o que prevaleceu – contra quaisquer organizações políticas. Se considerarmos a importância da organização política para o avanço das lutas operárias, podemos indicar desde já o quanto a revolução bolchevique contribuiu para o avanço das lutas no Brasil.

Outro aspecto a considerar é o da sociedade brasileira da época, recém-saída da escravidão e profundamente autoritária, elitista e repressiva, e por aí temos uma ideia das dificuldades com que se defrontavam os operários em suas lutas. O ataque ao movimento operário, quando de seu primeiro congresso em 1906, mostra a posição da classe dominante em relação aos trabalhadores. Dizia o jornal O Paiz, de 23 de agosto de 1906:

Os revolucionários estrangeiros que para cá emigraram, pregadores da revolução social, extremados, afirmam que o proletariado deve desprezar os recursos legais e só confiar na subversão da sociedade; agem em flagrante contraste com o nosso meio, que eles desconhecem. No Brasil não existem razão para o anarquismo ou socialismo, planta exótica trazida do estrangeiro, quando entre nós tudo é feliz e livre (7).

Fevereiro de 1917

1917 no Brasil foi, desde o início, um ano de greves e lutas operárias e para isso a influência da Revolução de Fevereiro na Rússia foi decisiva. O proletariado já se movimentava intensamente contra a guerra. Delegados de sindicatos e de jornais operários, coordenados pelo Centro de Estudos Sociais, criaram em março de 1915 uma Comissão Popular de Agitação Contra a Guerra e no 1o de Maio daquele ano leu-se um Manifesto pela Paz (8).

Nereu Rangel Pestana, diretor do jornal O Combate, escrevia sob o pseudônimo de Ivan Subirov:

Durante mais de 20 anos só os discípulos de Kropotkin sofriam pelo povo, pregavam às massas, sentiram as misérias da “santa canalha” (...) Por isso o proletariado brasileiro passou da escravidão à anarquia. Fez a sua evolução nas trevas, e vê a aurora da redenção surgir das estepes da Rússia (9).

As greves se seguiam e culminaram, em julho, com greves de solidariedade aos grevistas que as começaram por reivindicações trabalhistas. Houve uma reação em cadeia, o governo de São Paulo fugiu da capital e os operários, por dois dias, se apossaram dela. Everardo Dias, militante anarquista, relatou:

Nos bairros fabris, Brás, Mooca, Barra Funda, Lapa, sucedem-se tiroteios com grupos de populares; em certas ruas já começam a fazer barricadas com pedras, madeiras velhas, carroças viradas e a polícia não se atreve a passar por lá, porque dos telhados e cantos partem tiros certeiros (10).

Em meados de julho de 1917, havia 15 mil operários em greve em São Paulo (11). Apesar da força do movimento, que continuou até 1919, acabou por terminar sem maiores ganhos, tanto pelo desgaste da greve – principalmente pela falta de salários –, como pela ausência de organização política dos operários.

Em meio a esse ambiente, os operários louvavam a queda do czarismo. O jornal O debate, fundado por Astrojildo Pereira e Adolpho Porto, em seu primeiro número comenta no editorial:

Bem difícil, sem dúvida, é precisar o curso dos acontecimentos na Rússia. Aliás, seria rematada tolice pretender firmar tais ou quais traços definitivos do grande movimento que deu por terra, abruptamente, com a casta dos Romanov e com ela, de cambulhada, todas as demais castas aristocráticas e monopolizadoras das riquezas e do poder (12).

Em seu número 4, de 2 de agosto, o jornal trazia um longo artigo intitulado “Teremos também um comitê de soldados e operários” (13). O mesmo jornal, em setembro, defendia Lênin das acusações que vinha recebendo de parte dos inimigos da revolução:

A força de Lênin é a sua vontade de ferro, a sua clareza e simplicidade de seus lemas, o seu absoluto desinteresse, a sua incorruptibilidade, a sua ação metódica e uma habilidade organizadora consumada. Tinha sempre consigo a maioria do proletariado consciente dos grandes centros operários (14).

O mesmo jornal, em outubro daquele ano, transcreveu os principais pontos do programa de luta leninista (15).

Outubro de 1917

A Revolução Socialista de Outubro teve ainda maior repercussão no movimento operário. E o que de mais importante ocorreu não foi só o ânimo injetado na classe operária, certa agora de que era possível conquistar o poder. De maior importância foi a compreensão da necessidade de uma forte organização política para dirigir a revolução, o que até então vinha sendo negado pela vanguarda anarquista. É importante acompanhar o processo da formação do Partido Comunista do Brasil a partir da influência da Revolução Socialista Soviética, porque isso transformou não só a vida política do movimento operário, como a do país. Vejamos.

Os anarquistas, que já haviam saudado com entusiasmo a Revolução de Fevereiro, ficaram empolgados com a tomada do poder pelos bolcheviques. São inúmeras e constantes as manifestações de apoio a ela e o que há de se notar é que os anarquistas começam a ter uma visão da revolução que passava a aceitar uma organização política. Lênin foi enaltecido como grande organizador, o bolchevismo visto como uma perspectiva. Foram inúmeros os registros sobre isso nos jornais operários. Sobre a questão operária, escreveu-se: “Não há para onde fugir. O maximalismo caminha e nada o deterá na

sua marcha desde a Rússia até os mais longínquos recantos do globo. De fato, um exemplo como o da Rússia não poderá deixar de ser seguido por todos os outros povos” (16). O mesmo jornal falava da ditadura do proletariado: “Para maior esclarecimento da questão, apresentamos aqui a definição exata do maximalismo. O maximalismo é a aplicação do Máximo das concepções socialísticas, por meio da ditadura proletária” (17).

Os operários exaltavam a nova República e, falando da força dos sovietes (18) sobre as relações internacionais da nova República, diziam:

Quanto à relação com os outros povos, a República dos Sovietes está no terreno dos princípios da I Internacional, a qual reconheceu a verdade, a justiça e a moral como base de suas relações com toda a humanidade, independentemente de raças, religiões ou nacionalidades (19).

E mais:

Quando, pois, a Revolução Russa varreu como um tufão a velha tirania czarista, abatendo um sistema secular e execrável de despotismo religioso, político e econômico que mantinha uma população de 130.000.000 na mais abjeta e asquerosa das servidões que é possível conceber e descrever, e que o governo dos sovietes inscreveu no artigo 18 de sua Constituição aquele preceito sugestivo e lapidar: quem não trabalha não come”, produziu-se como que um relâmpago na consciência humana (20).

Primeiras tentativas de organização

• Durante o ano de 1918 houve tentativas para a criação de um partido comunista. Santos Soares fundou a Liga Comunista de Livramento, no Rio Grande do Sul (que durou até 1922); também no Rio Grande do Sul, em Passo Fundo, foi criado o Centro Comunista e ainda no mesmo estado a União Operária, cujo manifesto começava por conclamar: “Operários de todos os países, uni-vos!” A primeiro de novembro de 1918, Abílio de Nequete – que viria a ser um dos fundadores do partido comunista – fundou a União Maximalista, em Porto Alegre (21).

• A fracassada insurreição anarco-comunista de novembro de 1918 levou seus principais dirigentes para a cadeia, quebrando a continuidade da organização. A mobilização para a insurreição chegou a ser grande, em especial entre metalúrgicos e operários da construção civil. Um panfleto dos insurretos aos praças dizia: “Soldados e marinheiros: o patriotismo e a disciplina são os meios de que se servem os vossos opressores para vos enganarem. Só deveis ter um patriotismo e uma disciplina: a de libertar a classe dos pobres e dos humildes a que pertenceis.” (22).

Houve combates de rua, operários explodiram torres da Light e tomaram uma delegacia. Houve também uma tentativa de rebelião em uma companhia operária situada na Vila Militar, que foi logo abortada. Os operários, reunidos em São Cristóvão, acabaram duramente reprimidos, porque havia um traidor entre eles, o tenente Jorge Elias Ajus, que trazia a polícia informada da conspiração (23).

Soltos os militantes anarquistas revolucionários, a 12 de abril de 1919 A Plebe noticiava a criação do Partido Comunista do Brasil. Numa primeira circular do partido, datada de 23 de março de 1919 (quase a mesma data em que seria fundado definitivamente três anos mais tarde), dizia-se:

Camaradas?Saúde?Diante do entusiasmo que reina nas classes trabalhadoras e no povo em geral pelos movimentos que se desenrolam no mundo, tendentes a uma transformação social e amplamente baseados nas ideias comunistas, os libertários do Rio de Janeiro, reunidos no dia 09 do corrente, acordaram firmar o Partido Comunista do Brasil, além de desenvolver ativa propaganda entre todos os camaradas, no sentido de formar núcleos em todas as localidades do país (24).

Seguem as bases de acordo do partido. No dia 26 do mesmo mês, há um artigo de José Ingenieros elogiando o maximalismo (25) e, em maio, só elogios de um visitante que chegava de Moscou (26).

Apesar do conteúdo anarquista do novo partido, os programas dos núcleos comunistas que surgiam diziam-se todos maximalistas, enalteciam os sovietes, louvavam Lênin e Trotski. E espalhavam-se pelos estados. De Minas, por exemplo, veio a notícia:

Da capital mineira comunicam-nos: Efetivamente não nos enganávamos ao pensar que os camaradas daqui não deixariam de acompanhar os companheiros de outros estados, visto que, em uma reunião realizada em 31 do mês passado, efetuaram a organização de um Centro Comunista Libertário, sobre as bases do Partido Comunista do Brasil (27).

O mesmo número informa sobre a criação de idênticos núcleos em São Paulo, Campinas e São Caetano (28). O primeiro de maio de 1919 foi amplamente comemorado por libertários comunistas, que falaram em nome do PCdoB e desfilaram com seu pavilhão. Em Recife, Joaquim Pimenta, de grande projeção local, chegou a ensejar versos:

Se seu Pimenta quisesse, Inté os padres grevava, Carola não tinha missa, Nem as freiras rezava (29).

Tal partido teria vingado, sem maiores prejuízos para a unidade da classe operária, se a situação na Rússia Soviética não tivesse provocado o rompimento entre os que não abriam mão de seus ideais libertários e aqueles que agora se alinhavam com os bolcheviques russos, partidários da ditadura do proletariado. No final de 1920, a unidade dos anarquistas começou a se deteriorar, a partir da repressão bolchevique aos adeptos de Nestor Maknó. Os anarquistas maknovistas haviam participado ativamente da luta contra os exércitos brancos. Terminada a guerra civil, e por quererem implantar na região que dominavam comunas livres, negando-se a se submeter ao comando bolchevique, foram duramente reprimidos.

Foi principalmente a partir da insurreição dos marinheiros de Kronstadt, no início de março de 1921, que o rompimento definitivo se deu. Os anarquistas passaram a considerar os bolcheviques como inimigos, que diziam estar burocratizando a revolução e perpetuando o Estado. Apesar disso, um grupo de combativos líderes anarquistas assumiu a importância da criação de um partido político, continuou a defender a revolução proletária soviética e o bolchevismo. Com o movimento operário em refluxo, depois do desgaste de anos de greve, de intensas lutas e brutal repressão, para o pequeno grupo que aderiu ao bolchevismo a tarefa mais importante no momento era organizar aqui o partido comunista. E tinham razão.

Entre os dias 25 e 27 de março de 1922, com a presença de nove delegados – sete deles que haviam sido líderes anarquistas – fundou-se o Partido Comunista do Brasil (30) .

Uma breve conclusão

Por mais aguerridos e generosos que o fossem, e fundamentais para as lutas do movimento operário que se consolidava, os anarquistas não cogitaram da formação de um partido político que organizasse a classe operária e

coordenasse suas lutas. E o sucesso das lutas operárias não pode prescindir da organização política.

Organização política não é sinônimo nem de burocratização e nem de rígidas hierarquias de comando. Também não pode significar a substituição de uma classe por um grupo dirigente. Tais fenômenos, que ocorreram na história, não podem servir para invalidar a organização política. E os próprios anarquistas chegaram a aceitá-la.

Em que pesem – e pesaram tragicamente – as circunstâncias que desembocaram no chamado período stalinista, foi a organização política dos sovietes bolcheviques que permitiu a primeira vitória do proletariado contra o capitalismo e a barbárie antidemocrática que está em seu código genético.

No Brasil, e apesar de todos os erros que possam ter sido cometidos, foi o partido comunista que combateu sozinho, ou liderou TODAS as lutas democráticas do país; contra o nazi-fascismo, contra o integralismo, pela independência nacional, contra o imperialismo estrangeiro, pela paz, e pela solidariedade entre os povos.

A fundação do partido comunista foi uma das maiores contribuições da Revolução Socialista Soviética em nosso país.

MARLY VIANNA é professora aposentada da UFSCar, leciona atualmente no PPG em História do Brasil da UNIVERSO

NOTAS

(1) Benoit-Jules Mure fundou uma colônia em Santa Cataria e ainda nos anos 40 do século XIX lançou o jornal O Socialista da Província do Rio de Janeiro que, na verdade, pouco tinha de socialista além do nome.

(2) RODRIGUES, Edgar. Socialismo e sindicalismo no Brasil. Rio de Janeiro: Leammert, 1969, p. 59.

(3) RECLUS, Eliseu. Estados Unidos do Brasil. Rio de Janeiro, 1900. In: RODRIGUES, E. Op. Cit., p. 70.

(4) RODRIGUES, E. Op. cit., p. 70.

(5) Ver SILVA, Sérgio Salomé. Expansão Cafeeira e Origens da Indústria no Brasil. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976.

(6) VASCO, Neno. Origens e primórdios de atividade. In: LEUENROTH, Edgar. Anarquismo, roteiro de libertação social. Rio de Janeiro: Mundo Livre, 1953, p. 102-103. Grifo nosso.

(7) Cf. FERREIRA, Maria Nazareth. Op. cit., p. 55.?(8) BANDEIRA, Moniz; MELO, Clóvis; ANDRADE, A. T. O ano vermelho – a Revolução Russa e seus reflexos

no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967, p. 31.

(9) Apud SUBIROV, Ivan. A oligarquia paulista. In: BANDEIRA, Moniz; MELO, Clóvis; ANDRADE, A. T. Op. cit., p. 49. 

(10) DIAS, Everardo. História das lutas sociais no Brasil. Ver também LINHARES. Contribuição à história das lutas operárias no Brasil. São Paulo: Alfa-Ômega, 1977.

(11) Entre outros, BANDEIRA, Moniz; MELO, Clóvis; ANDRADE, A. T. Op. cit., p. 58. (12) O Debate, Rio de Janeiro, no 1, 12 de julho de 1917, p. 12.?(13) IDEM, no 4, de 2 de agosto de 1917, p. 12.?(14) IDEM, no 12, 29 de setembro de 1917, p. 7.

(15) IDEM, no 15, 27 de outubro de 1917, p. 9.

(16) “Maximalismo no Brasil?” In: Tribuna do povo, no 26, Recife, 1o de dezembro de 1918, p. 4.

(17) “A ditadura proletária” In: IDEM, no 28, de 20 de dezembro de 1918, p. 1.

(18) “Evidencia-se a força dos sovietes”. In: A Plebe, fase 1, ano 2, no 7, de 5 de abril de 1918, p. 2.

(19) “O pacto fundamental da República dos Sovietes”. In: IDEM.

(20) PINHO, Adelino de. Folheto divulgado em 1921.

(21) BANDEIRA, Moniz; MELO, Clóvis; ANDRADE, A. T. Op. cit., p.153.

(22) IDEM, p.128.

(23) IDEM, p.123-142. Ver também ADDOR, Carlos Augusto. A insurreição anarquista no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1986.

(24) “Está constituído o Partido Comunista do Brasil – qual é seu objetivo”. In: A Plebe, fase 1, ano 2, no8,de12deabrilde1919,p.3.

(25) INGENIEROS, José. A significação histórica do maximalismo. In: IDEM, 26 de abril de 1919, p.4. (26) “A situação da Rússia bolchevista”. In: IDEM, no 22, de 19 de maio de 1919.?(27) “Núcleos de Vanguarda em Belo Horizonte”. In: IDEM, ano 1, no 2, de 14 de junho de 1919, p. 3. (28) IDEM, p. 4.

(29) BANDEIRA, Moniz; MELO, Clóvis; ANDRADE, A. T. Op. cit., p.193.

(30) Sobre o assunto ver PEREIRA, Astrojildo. Formação do PCB, 1922-1928. 3a ed. São Paulo: Anita Garibaldi, 2012. Os fundadores do Partido Comunista do Brasil presentes a essa reunião foram: Abílio de Nequete (barbeiro); Astrojildo Pereira (jornalista); Cristiano Cordeiro (funcionário); Hermógenes Silva (eletricista); João da Costa Pimenta (gráfico); Joaquim Barbosa (alfaiate); José Elias da Silva (funcionário); Luís Peres (operário vassoureiro); Manuel Cendon (alfaiate).