Especiais - Bicentenário de Karl Marx: Desbravar um Mundo Novo no Século XXI

No Recife, atualidade do pensamento marca celebração dos 200 anos de Marx

Do Recife, Audicéa Rodrigues, com a colaboração de Inamara Mélo e Matheus Lins Publicado em 11.05.2018

Nereide Saviani foi ao Recife a convite da Seção Pernambuco da Fundação Maurício Grabois para falar sobre “A atualidade do marxismo na transformação do mundo”, dentro das celebrações do bicentenário de Karl Marx (1818-1883) promovidas pela FMG em todo o país. Ela é coordenadora da Escola Nacional João Amazonas e membro da direção nacional do PCdoB e

“Este evento tem a marca da celebração dos 200 anos de nascimento de Karl Marx, mas tem também a marca do debate e da reflexão sobre o que é querer transformar a sociedade à luz da elaboração desse grande pensador em um momento de exacerbação das contradições do regime capitalista que, em crise, consegue combinar estagnação com desenvolvimento, mas sempre para poucos que ficam cada vez mais ricos e a grande maioria cada vez mais pobre”, destacou Nereide Saviani, doutora em História e Filosofia da Educação, ao iniciar palestra realizada no Recife, terça-feira (8).

Nereide é coordenadora da Escola Nacional João Amazonas e membro da direção nacional do PCdoB e veio ao Recife a convite da Seção Pernambuco da Fundação Maurício Grabois para falar sobre “A atualidade do marxismo na transformação do mundo”, dentro das celebrações do bicentenário de Karl Marx (1818-1883) promovidas pela FMG em todo o país.

Para ela, refletir sobre “o que Marx tem a ver com a situação de hoje” é ao mesmo tempo comemorar o nascimento “desse gênio, que revelou os segredos da exploração capitalista” e destacar a atualidade de seu pensamento, claramente perceptível “no momento em que a situação nos coloca diante do fato de que ou é socialismo ou é barbárie - e temos traços imensos de barbárie. É impossível falar sobre isso sem se referir a Marx, concordando ou discordando dele”, afirmou.

 

A comunista lembrou que ainda hoje os economistas capitalistas não conseguem pensar as saídas para o capitalismo sem recorrer a Marx. “Eles precisam ir a Marx e, um exemplo, é que após a crise do capitalismo em 2007/2008, que deu uma rebordosa, os economistas capitalistas concluíram que precisavam ler Marx de novo. Isso mostra que ele é um clássico, que é impossível discutir os problemas do capitalismo sem dar uma olhada no que disse o velho barbudo”, disse Nereide, traçando em seguida uma breve biografia do pensador alemão, que acumulava saberes nas áreas de direito, sociologia, filosofia e economia política, aí com destaque para a formulação da teoria da mais-valia. Uma trajetória iniciada na juventude quando se integrou ao grupo dos jovens hegelianos de esquerda e passou a estudar as ideias do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, “dando uma visão materialista à visão revolucionária do idealismo hegeliano”.

 “Portanto, é um fato auspicioso que 200 anos após seu nascimento um pensador, um elaborador, dê ainda uma grande contribuição para a análise da sociedade nos tempos atuais, com as contradições que ele desvendou no capitalismo de sua época, mas que se aguçam, exacerbam-se, nos dias de hoje, e para examiná-los é preciso recorrer a ele. Então, poucos clássicos têm essa característica. Alguns foram excelentes para o estudo de sua época, são referências para analisar determinados problemas, mas não com a atualidade de Karl Marx. Não é porque somos marxistas, pois mesmo o opositor muito renitente tem que admitir a importância de sua contribuição e para negá-lo é preciso lê-lo, é preciso estudá-lo”, destacou a comunista.

Atualidade de Marx

Além da professora doutora Nereide Saviani compuseram a mesa do evento os professores Luiz Alves, presidente da Seção estadual da Fundação Maurício Grabois; e Frederico Jayme Katz, da Universidade Federal de Pernambuco, bem como o presidente estadual do PCdoB-PE, Marcelino Granja. Presentes ao encontro, entre outros, o vice-prefeito do Recife e membro do Comitê Central, Luciano Siqueira, e o presidente do Comitê Municipal do PCdoB do Recife, José Bertotti.

Para o professor Luiz Alves, o evento de terça-feira (8), no Recife, não foi só comemorativo, mas buscou, sobretudo, mostrar a atualidade do pensamento de Marx, que “apoiado na realidade concreta consegue apontar saídas, fazer um diagnóstico do quadro de crise que a economia capitalista se depara hoje e, principalmente, apontar saídas, assim como, se essas saídas passam necessariamente pela compreensão, pelo estudo, pelo entendimento que possamos ter do marxismo e da obra de Marx”.

“É um evento que também se insere na agenda de discussão que a Fundação Maurício Grabois vem fazendo no esforço de fomentar aqui em Pernambuco o debate das ideias e nos preparar para uma ação sobre a nossa realidade de forma consequente e dirigida. Nesse sentido o debate de hoje pretendeu também brindar toda a militância, os amigos e os interessados na compreensão, na busca do entender o marxismo”, afirmou.

Já o professor e economista Frederico Jayme Katz, que atendeu convite da FMG para participar do evento, classificou como “notável” a atualidade do pensamento marxista. “É algo notável que 200 anos depois do seu nascimento Marx seja um dos únicos dos realizadores dos grandes projetos sociais do século 18 que ainda consta da pauta de discussão e hoje nós vemos, sobejamente, exemplos e até mesmo admissões por parte de pessoas da escola neoliberal da grande presença e influência de Marx nas decisões sociais, até hoje”.

 

Assista abaixo à íntegra da palestra:

 

Do Recife, Audicéa Rodrigues, com a colaboração de Inamara Mélo e Matheus Lins.