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Gilse Westin Cosenza, uma mulher imprescindível (1943-2017)


Gilse Westin Cosenza faleceu aos 74 anos de idade no dia 28 maio de 2017 na cidade de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais. Dedicou a maior parte da sua vida à causa do povo, à busca de uma sociedade que fosse a expressão da sua conduta: fraterna, altiva, socialmente desenvolvida. Foi uma das “moças de minas”, grupo de destemidas lutadoras contra a ditadura militar assim chamadas por Luiz Manfredini em sua obra que descreve a atuação da Ação Popular (AP) em Minas Gerais na resistência democrática nos anos 1960 — uma doce revolucionária, como definiu Luciana Santos, presidenta do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em nota sobre o seu falecimento. Gilse esteve presente em todos os combates por democracia, soberania nacional e progresso desde que iniciou a militância política no movimento estudantil, em março de 1964. Foi para o campo preparar o caminho da guerra popular prolongada e amargou as mais bestiais torturas enquanto esteve nas mãos dos carrascos que atuaram nos porões da ditadura. Com a incorporação da AP ao PCdoB, integrou-se de pronto aos trabalho dos comunistas e chegou ao posto de membro do seu Comitê Central. A vida de Gilse, enfim, pode ser resumida numa definição: foi uma daquelas personalidades que Bertold Brecht disse, sem inflexão de gênero, serem imprescindíveis.