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Centro de Estudos dos Países Lusófonos pretende lançar 1ª coletânea acadêmica

Publicado em 28.04.2012

O primeiro Centro de Estudos dos Países de Língua Portuguesa na China planeja lançar uma coletânea de textos acadêmicos sobre países lusófonos no primeiro trimestre de 2013. As principais pautas abordadas no livro abrangem a história, atualidade dos países lusófonos, seu desenvolvimento socioeconômico, cultura, relacionamentos e parcerias entre a China e a comunidade de língua portuguesa.

 

Para materializar a ideia, foi convocado nessa quinta-feira (26) o primeiro seminário organizado pela centro desde sua fundação, em 16 de janeiro deste ano. A lista de convidados inclui o ex-representante chinês para contatos sino-portugueses na véspera do retorno de Macau à Pátria, um especialista em questões africanas, o conselheiro permamente da Associação Acadêmica sobre países latino-americanos, o vice-diretor do Instituto sobre questões estrangeiras de Beijing e pesquisadoras da Academia de Ciências Sociais da China. O diretor do Centro de Estudos dos Países de Língua Portuguesa e organizador do evento, Wang Cheng'an, considera necessário o estudo sobre o relacionamento entre a China e países lusófonos, já que vêm duplicando as trocas comerciais multilaterais. Wang explicou:

"O livro será a prioridade do nosso trabalho em 2012. A partir da perspectiva acadêmica, pretendemos oferecer informações a órgãos governamentais e empresas chinesas a fim de promover intercâmbios culturais, econômicos e comerciais entre a China e países de língua portuguesa. E, dessa forma, mostrar os êxitos dos especialistas e pesquisadores chineses na área e contribuir para a melhor parceria e cooperação bilateral."

Huang Zequan é repórter veterano do Diário do Povo. Ao longo de quatro décadas dedicadas à carreira jornalística, esteve envolvido com a pesquisa e estudos sobre o continente africano. Visitou 33 países africanos, entre esses, viajou duas vezes para Angola, Moçambique e Cabo Verde. Em 2003, Huang publicou o primeiro Guia da China para Investir na África. A obra de 1,85 milhões de caracteres chineses, oferece dicas práticas e úteis para quem se interessar pelos países africanos. Como especialista na área, Huang analisa as relações entre a China e os países africanos, especialmente de língua portuguesa.

"O relacionamento sino-africano está no seu auge de desenvolvimento. Os cinco países de língua portuguesa ocupam um décimo do número total da África. Com quatro deles, a China estabeleceu relações diplomáticas. As cooperações econômicas e comerciais bilaterais estão numa fase estável. A Angola é hoje o segundo maior parceiro comercial da China no continente africano. São cerca de um milhão de chineses que trabalham na África, 100 mil chineses em Angola, o que promove intercâmbios populares entre a China e a África."

Patrícia Conceição é a única portuguesa convidada para participar do seminário. Formada pela Universidade de Aveiro, em Portugal, e mestre em relações internacionais em chinês pela Universidade de Qinghua, na China, Patrícia dedica-se à pesquisa sobre a diplomacia cultural da China no Brasil. A razão de escolher o Brasil é motivada pelo fato de as relações China-Brasil estarem crescendo. Mas é novidade para ela o projeto de estudo sobre a China e os países de língua portuguesa.

"Acho que é muito interessante estarmos em contato com investigadores chineses, para saber a maneira como eles pensam, como analisam as coisas. E espero que possa eu própria também contribuir para o aumento deste intercâmbio acadêmico, que eu acho que é o que falta. Nós temos que ter relações econômicas, podemos ter intercâmbio cultural como exposições, espetáculo, ensino de língua, mas isso não aproxima as pessoas o suficiente. Tem de haver realmente também entre as pessoas que pensam, portanto os investigadores, intercâmbio de ideias. O fato de eu estar integrada nesta equipe de investigadores chineses é muito importante pra mim. "

O Centro de Estudos dos Países de Língua Portuguesa conta com o apoio do Instituto de Estudos Regionais da Universidade de Economia e Negócios Internacionais e pretende ampliar sua rede de membros em todo o país.

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Fonte: Rádio Internacional da China