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Centenário da Revolução Russa no Rio: Exposição, filmes e seminário vão até 28 de julho

Cezar Xavier Publicado em 17.05.2017

Acervo fotográfico e debates de filmes estão na programação do evento sobre os 100 anos da Revolução Russa

O Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ está promovendo até julho a exposição A Revolução em Imagens, com cerca de 30 fotografias e cartazes impressos, além de outras 50 em mídias audiovisuais, sobre a Revolução Russa de 1917. Também haverá dois seminários, nos dias 7 e 21 de junho, com a presença de professores, pesquisadores e especialistas como Anita Leocádia Prestes, Mauro Iasi, Graziela Schneider, José Paulo Neto, Juliano Medeiros, Carlos Eduardo Martins, Luiz Eduardo Mota e Carlos Serrano Ferreira, entre outros.

Todas as Quartas Vermelhas acontecem sessões de filmes sobre a Revolução Russa, com a exibição de clássicos como Outubro e Encouraçado Potemkin, de Serguei Eisenstein, seguidas de debates. Nesta quarta-feira, dia 10 de maio, será exibido o filme Caparaó, de Flávio Frederico, seguido de um debate com a presença do sargento Daltro Jacques Dornellas (ex-guerrilheiro na Serra do Caparaó, exilado político e ex-deputado federal); Esther Kuperman, doutora em História e professora de História do Colégio Pedro II. A mediação será do professor Ivan Capeller, da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ.

Serão realizadas visitas guiadas com estudantes da rede estadual nos períodos da manhã e da tarde. Programação completa aqui.

Exposição: A Revolução em Imagens

Quando: de 3 de maio a 28 de julho

Onde: Campus Universitário da Praia Vermelha da UFRJ

 

O Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) realiza, de 3 de maio a 28 de julho, o evento “Revolução em Imagens”, que consiste na exposição de fotografias e cartazes e na exibição de filmes seguida de debates sobre a Revolução Russa de 1917. No acervo estão cerca de 30 imagens impressas, e cerca de outras 50 em mídias audiovisuais, sobre o tema. O material estará em exibição no Espaço Memória, Arte e Sociedade Jessie Jane Vieira de Souza, localizado no 2º andar do prédio da Decania do CFCH.

Serão realizadas visitas guiadas com estudantes da rede estadual nos períodos da manhã e da tarde. Na programação também estão confirmados dois seminários nos dias 7 e 21 de junho com a presença de professores, pesquisadores e demais especialistas, como Anita Leocádia Prestes, Mauro Iasi, Graziela Schneider, José Paulo Neto, Juliano Medeiros, Carlos Eduardo Martins, Carlos Serrano Ferreira, entre outros. Em todas as “Quartas Vermelhas” acontecerão sessões de filmes sobre a Revolução de 1917 seguidas de debates com especialistas e o público. Serão exibidas obras como “Outubro” e “Encouraçado Potemkin”, de Serguei Eisenstein, e outras obras. 

Além de buscar uma troca de saberes interdisciplinares entre diversas unidades da comunidade universitária, as atividades têm essencialmente um caráter extensionista por meio da interlocução com escolas de ensino médio, movimentos sociais e entidades de classe.

 

O curso de Relações Internacionai (RI) realizou, na última terça-feira (25/04), sua aula inaugural “1917: o ano que abalou a história – a Revolução Russa, seu impacto mundial e as relações internacionais”. A mesa foi composta pelos professores Pedro Cláudio Cunca Bocayuva, professor do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (Nepp-DH), Leonardo Valente, coordenador do curso de RI, e Carlos Bernardo Vainer, coordenador do Fórum de Ciência e Cultura (FCC).

A decana do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), professora Lilia Guimarães Pougy, falou sobre a importância do evento. “Nós precisamos entender os processos políticos e revisitar a história. Neste sentido, a Revolução Russa precisa ser passada a limpo a partir do ponto de observação de hoje”, afirmou. A decana também saudou os novos estudantes de RI. “Este é um curso pioneiro por ser multiunidades e multicentros, o que subverte uma lógica departamental e concentrado em uma unidade acadêmica. É preciso experimentar este formato de modo crítico e intenso. A decania do CFCH, e eu tenho certeza de que a do CCJE (Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas) também, têm oferecido o apoio e o suporte demandados pelo curso. Eu gostaria de deixar aos estudantes a mensagem de que a decania do CFCH é a sua decania. Vocês podem nos procurar, podem interpelar e podem fazer desse espaço um espaço também de debate acadêmico”, completou a professora.

O professor Carlos Bernardo Vainer lembrou a frase do historiador francês Jean Chesneaux, segundo quem “é necessário pensar politicamente o passado e historicamente o presente”. De acordo com Vainer, “o passado é reconstruído coletivamente a todo momento a partir da análise do presente e dando sentido àquele”. A ideia de revolução permite a possibilidade de “mudar o mundo”, segundo o coordenador do FCC-UFRJ. “Há um futuro diferente do passado e do presente. E essa ideia pode ser estimulante para alguns, mas amedrontadora para outros”, disse. Outro caráter do conceito de Revolução destacado pelo professor foi o de uma “obra coletiva”. Para Vainer, “embora as revoluções apareçam historicamente atreladas a seus líderes, as revoluções não acontecem por meio de iniciativas individuais. Documentos comprovam que Lênin não fazia a menor ideia de que a Revolução Russa seria possível um mês antes de ela acontecer”, comentou. Toda revolução é um evento global, segundo Vainer. No caso da Revolução Russa, a insurreição  “redefiniu o mapa da Europa e repercutiu mundialmente em todas as lutas sociais do século XX”, acrescentou. Por fim, o coordenador do FCC-UFRJ apontou o caráter de ruptura do evento revoluc ionário. “Mao Tsé Tung dizia que ‘a revolução não é um convite para um jantar’. Não quero com isso estimular a violência, mas alertar que toda insurreição é um ato de violência por meio do qual uma classe derruba a outra do poder”, concluiu.

Leonardo Valente, coordenador do curso de RI, traçou o cenário geopolítico por que o Império Russo passava antes da eclosão da revolução. “A Rússia já era um império com 130 milhões de pessoas, um dos maiores da história. Era um país agrário? Sim. Mas já era uma nação complexa com uma elite cultural e uma Literatura extremamente relevante. Eu ousaria dizer que a Rússia pré-revolucionária tratou-se do maior movimento literário da história da humanidade”, analisou. Valente também falou sobre o legado da Rússia, enquanto nação até os dias atuais. “Os principais analistas geopolíticos sempre apontavam a importância do domínio da Ásia. Por este motivo os Estados Unidos sempre se preocupavam com o caráter socialista da Revolução Russa e trataram de estabelecer relações com os países daquela região, de forma a neutralizar o poderio daquele país”, destacou. Mesmo nos dias de hoje, os efeitos se fazem presentes. “O que o governo russo está fazendo hoje é tentar retomar a sua importância geopolítica. E se o Ocidente não buscar compreender o caráter identitário da Rússia, a sua revolução e seus desdobramentos, passaremos por momentos difíceis num futuro muito breve”, finalizou Valente.

 

Confira a programação abaixo:

07/06/2017 – Mesa 1: A História da Revolução Russa (1917-24)

Horário: 9h às 12h

Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque

Participantes da mesa: Lincoln de Abreu Pena (historiador, doutor em História Social, consultor político e de assuntos estratégicos de diversas instituições); Henrique Canary (mestre em História Contemporânea, tradutor e revisor de russo e ex-editor-chefe da Editora Sudermann), Carlos Serrano Ferreira (professor de Ciência Política do IFCS-UFRJ) e Graziela Schneider (tradutora e professora de Literatura e Cultura Russa).

Moderador da mesa: Amaury Fernandes, professor e diretor da ECO-UFRJ.

12h: Lançamento de livro: "A revolução das mulheres: emancipação feminina na Rússia soviética: artigos, atas panfletos, ensaios" de Graziela Schneider Urso (org.)

 

07/06/2017 – Mesa 2: A Revolução Russa e Brasil

Horário: 14h às 17h

Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque

Participantes da Mesa: Anita Leocádia Prestes (doutora em Economia Política e em História e professora aposentada da UFRJ), José Paulo Netto (professor aposentado Escola de Serviço Social da UFRJ) e Carlos Addor (doutor em História e professor da UFF).

Moderador da mesa: Pedro Cláudio Cunca Bocayuva, professor Nepp-DH.

17h: Lançamento de livro: "Olga Benario Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo", de Anita Leocadia Prestes.

 

21/06/2017 – Mesa 1:  Revolução e o mundo

Horário: 9h às 12h.

Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque

Participantes da Mesa: Marcelo Bráz (professor da Escola de Serviço Social da UFRJ), Carlos Eduardo Martins (sociólogo e professor de Economia Política Internacional da UFRJ), Eduardo Serra (professor da Coppe-UFRJ) e Vantuil Pereira (diretor do Nepp-DH/UFRJ).

Coordenação da mesa: Ricardo Figueiredo de Castro, professor IH-UFRJ.

 

21/06/2017 – Mesa 2: Perspectivas do socialismo contemporâneo

Horário: 14h às 17h

Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque

Participantes da Mesa: Mauro Iasi (professor da Escola de Serviço Social da UFRJ), Valério Arcary (historiador, escritor, militante político e professor aposentado do Instituto Federal de São Paulo) e Juliano Medeiros (historiador e doutor em Ciência Política).

Coordenação da mesa: Marco Aurélio Santana, diretor Ifcs-UFRJ.

Local: Auditório Professor Manoel Maurício de Albuquerque (andar térreo do prédio do CFCH)

 

Fórum de Debates (Quartas Vermelhas): 

Dia 03/05: Filme: “Outubro”, de Serguei Eisenstein

Horário: 14h

Local: Auditório da Decania do CFCH

Debatedor: Carlos Serrano Ferreira (professor IH-UFRJ), Mirtes Palmeira Ferrer (Colégio Estadual Amaro Cavalcanti) e Silvana de Queiroz Mesquita (Colégio Estadual Amaro Cavalcanti).

 

Dia 10/05: “Caparaó”, de Flávio Frederico

Horário: 14h

Local: Auditório da Decania do CFCH

Debatedores: Sargento Daltro Jacques Dornellas (militar, ex-guerrilheiro na Serra do Caparaó, exilado político e ex-deputado federal pelo MDB e posteriormente pelo PDT); e Esther Kuperman, doutora em História e professora de História do Colégio Pedro II.

A historiadora Esther Kuperman participou de uma conversa com o público após a exibição, mediada pelo também historiador Hiran Roedel.

O filme narra a primeira tentativa de um movimento de guerrilha contra o regime militar no Brasil que, de acordo com Esther Kuperman, teria sido articulado por Leonel Brizola, em 1966, durante o seu exílio no Uruguai. A historiadora afirma que, inicialmente, o grupo de cerca de 20 guerrilheiros foi financiado pelo governo cubano e recebido intenso treinamento militar na Serra do Caparaó, localizada na divisa de Minas Gerais e Espírito Santo. Mas, com o fim do apoio financeiro, o grupo acabou isolado e, sem recursos, foi desarticulado em 1967.

A historiadora, que dedicou sua pesquisa Mestrado ao tema, ressaltou a importância da experiência, ainda que tenha resultado em derrota. “Foi a expressão de um projeto de resistência. Uma ambição muito além da capacidade deles, mas uma ambição ‘do bem’”, pontuou. Ainda segundo Kuperman, o documentário mostra a necessidade de se refletir sobre questões políticas e sociais no atual contexto brasileiro: “É preciso voltar a resistir”, completou.  

Para a professora do Colégio Pedro II, o filme é importante por ser contado a partir da narrativa dos próprios combatentes. "O documentário possibilitou aos guerrilheiros que reconhecessem neles mesmos a importância que tiveram para a História e pudessem repensar o seu papel ideológico – que não estava completamente definido, por serem ex-militares e por não associarem suas ações a uma ideologia de esquerda", comentou a historiadora. De acordo com Kuperman, nos dias atuais é possível analisar a experiência na Serra do Caparaó como uma guerrilha formada por um grupo de militares nacionalistas de esquerda. 

Dia 17/05: “Vermelhos e Brancos”, de Miklós Jancsó

Horário: 14h

Local: Auditório da Decania do CFCH

Debatedores: Ivan Capeller, professor da Escola de Comunicação da UFRJ.

 

Dia 24/05: “Encouraçado Potemkin”, de Serguei Eisenstein.

Horário: 14h

Local: Auditório da Decania do CFCH

Debatedores: Luiz Arnaldo Campos, cineasta

 

Dia 31/05: “Araguaia”, de Ronaldo Duque.

Horário: 14h

Local: Auditório da Decania do CFCH

Debatedora: Victória Lavínia Grabois Olímpio, ex-militante política e atual presidenta do Grupo Tortura Nunca Mais.

 

Dia 14/06

Filme: “Eles não usam black tie”, de Gianfrancesco Guarnieri.

Horário: 14h

Local: Auditório da Decania do CFCH

Debatedor: Pedro Cláudio Cunca Bocayuva, professor Nepp-DH/UFRJ.

 

Dia: 28/06: “Reds”, de Warren Beatty.

Horário: 14h

Local: Auditório da Decania do CFCH

Debatedor: Marcos Dantas, professor da Escola de Comunicação da UFRJ.

 

Serviço:

“Revolução em Imagens”

Data: de 3 de maio a 28 de julho.

Local: Prédio da Decania do CFCH (campus universitário da Praia Vermelha da UFRJ).

Aberto ao público.