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Olival Freire é o primeiro brasileiro no conselho da History of Science Society

Cezar Xavier, com Edgardigital Publicado em 05.06.2017

Historiador da ciência respeitado, liderança no Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História da Ciência da UFBA, que reúne hoje três dezenas de docentes, o professor Olival Freire Júnior tornou-se nesta semana o primeiro brasileiro a integrar o conselho da History of Science Society.

Fundada nos Estados Unidos em 1924, essa é a mais tradicional e forte sociedade científica em sua área e congrega atualmente mais de 500 sócios em todo o mundo. Ele toma posse no começo do próximo ano e tem mandato de três anos.

Olival, pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Criação da UFBA, comenta que a sociedade vem fazendo nos últimos anos um grande esforço para incluir sócios e diretores de diferentes países. “No Conselho, por exemplo, formado por 21 membros, dos quais cinco funcionam como executivos propriamente, já havia representantes de países europeus e um do México. Agora, haverá também um brasileiro”, disse.

Em entrevista ao Portal Grabois, o historiador da ciência atribui a importância de sua eleição ao trabalho que, tanto ele, como outros pesquisadores vêem fazendo, particularmente na Bahia, com uma consistência que chama a atenção de seus pares no exterior. Ele diz que, além da popularidade de seu “Dissidentes Quânticos”, lançado com destaque internacionalmente, ele vem mantendo há quinze anos um trabalho permanente e contatos e vínculos frequentes com pesquisadores da mesma área nos EUA.

Em sua opinião, ter conseguidos os votos necessários para estar entre os cinco novos conselheiros é um atestado do reconhecimento e do vigor da pesquisa realizada no Brasil em história da ciência e, especialmente, um reconhecimento ao polo de pesquisa da UFBA, que passa a fazer parte como “peça do tabuleiro” desse debate.

Nesse mandato de três anos, ele participa de pelo menos três reuniões, onde espera contribuir com a HSS discutindo formas de fortalecer e expandir a sociedade. Ele pretende discutir, particularmente, a introdução da história da ciência como uma dimensão mais presente dos currículos de cursos de ciências nas escolas.

Em tempos de cortes de investimento em pesquisa científica em todo o mundo, proliferando as chamadas “Marchas pela Ciência” por todo o mundo, Olival Freire Jr espera que sua inserção nessa instituição prestigiosa contribua de alguma forma em defesa dos investimentos governamentais nos institutos científicos que sofrem cortes. Afinal, ele atribui essa eleição ao resultado que vários cientistas brasileiros veem acumulando pelo mundo, num processo que não pode ser interrompido.

Físico de formação, voltado à história da ciência e especialmente da física há cerca de 20 anos, desde seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP), quando estudou o trabalho de David Bohm sob orientação de Michel Paty e Shozo Motoyama, Olival tem há muitos anos inserção pessoal no meio acadêmico norte-americano em sua área. E certamente só serviu para ampliar seu reconhecimento o livro “Os dissidentes quânticos”, publicado em 2015 pela Springer.

O professor baiano deverá escolher uma das comissões em que se divide o Conselho da influente History of Science Society e, provavelmente, dado seu enorme interesse em ensino, optará pela comissão que lida com a difusão da história da ciência na educação. Já em novembro ele participa da reunião anual do conselho da sociedade, sem direito a voto e, a partir do próximo ano, em plena posse de seu mandato de conselheiro.