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Estudos Avançados discutem Questão Nacional, entre 28 e 30, em São Paulo

Cezar Xavier Publicado em 12.07.2017

O final de julho reúne militantes e dirigentes do PCdoB para a quinta edição dos Seminários de Estudos Avançados, quando a “Questão Nacional” estará em debate. É um tema de alta relevância, em decorrência da realidade mundial ser marcada pela globalização financeira e, no caso brasileiro, por um governo golpista que impõe uma pauta ultraliberal e neocolonial.

Participação de convidada durante seminário de Estudos Avançados em 2016.

O evento não é aberto ao público, mas exclusivo para convidados (as), e ocorrerá na sede nacional do PCdoB (R. Rego Freitas, 192), em São Paulo, nos dias 28, 29 e 30 de julho.

Conferencistas como o vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino, o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, os historiadores Júlio Velloso, Ana Lucia Danilevcz e Paulo Visentini, os economistas Dilermando Toni e Eduardo Costa Pinto, assim como o geógrafo Elias Jabbour, desenvolverão o tema que será parte dos debates ao 14º Congresso do PCdoB, a ser realizado entre 17 e 19 de novembro, em Brasília (DF).

 

V SEMINÁRIO NACIONAL DOS ESTUDOS AVANÇADOS

ESCOLA NACIONAL JOÃO AMAZONAS DO PCdoB – 28, 29 e 30 de julho de 2017

A “Questão Nacional” sempre esteve presente nas reflexões das correntes marxistas desde as suas origens. Marx e Engels a tiveram em conta quando pensaram a revolução em países como Alemanha, Irlanda, Polônia e Índia. Mas, sem dúvida, foi Lênin quem colocou-a no centro da agenda do movimento comunista internacional, especialmente quando se voltou para o problema da revolução nos países periféricos do sistema capitalista, dependentes, coloniais e semicoloniais. Aqui se localizam as originais contribuições de Lênin à teoria do imperialismo e sobre a necessária autodeterminação dos povos. Todas as principais revoluções populares ocorridas no século XX são, em menor ou maior medida, tributárias desse pensamento estratégico marxista-leninista.

Todas as revoluções contemporâneas tiveram no elemento nacional uma de suas molas propulsoras, senão a mais importante. Contudo, desde a década de 1970, a ideia de permanência de uma “questão nacional” é fortemente questionada por setores da própria esquerda. Por isso, o V Seminário Nacional de Estudos Avançados pretende se debruçar sobre esse intricado problema, buscando entender: como os marxistas abordaram teoricamente a questão nacional e estabeleceram relações com o processo da revolução nacional-democrática e socialista; como esse problema continuou se apresentando no próprio processo de transição e construção da sociedade socialista. Por fim, como se configura este problema hoje num mundo globalizado sob a égide do capital financeiro e em nosso país, pós-golpe; qual impacto no atual programa dos comunistas brasileiros e demais forças políticas avançadas?

Programação

28 de julho – 16h00

Conferência de Abertura:

14º Congresso do PCdoB: Saídas e perspectivas para o Brasil

Conferencista

Walter Sorrentino – Vice-Presidente Nacional do PCdoB

Mesa 1 – 18h30 às 22h00

O Marxismo e a questão nacional no século XX – Nesta mesa serão abordados, entre outros pontos: as contribuições de Marx, Engels, Lênin e outros teóricos revolucionários na construção de uma teoria da questão nacional e de sua relação com a luta pela conquista do socialismo; como a questão nacional se articulou com as questões democrática e social. Por fim, como a questão nacional compareceu no programa e na prática das revoluções populares vitoriosas no século XX.

Expositores

Júlio Velloso – Membro do Comitê Central do PCdoB, historiador, mestre pelo IEB/USP, doutor pela FFLCH/USP.

Paulo Visentini – Historiador, doutor em História pela Universidade de São Paulo, pós-doutorado em Relações Internacionais pela London School of Economics, professor de Relações Internacionais na UFRGS.


29 de Julho

Mesa 2 – 9h00 às 12h30

Centralidade da questão nacional no capitalismo contemporâneo – A mesa tratará dos impactos da globalização financeira neoliberal nos países capitalistas em desenvolvimento, e como isso se reflete na construção de uma agenda de caráter nacional e desenvolvimentista. Que parâmetros extrair de países que, refratários à ofensiva neocolonial, empreendem esforços por um desenvolvimento soberano? As atuais mudanças econômicas e geopolíticas vivenciadas pelo capitalismo contemporâneo teriam reduzido ou eliminado a existência de uma questão nacional para os países em desenvolvimento? As contradições entre as nações e o imperialismo continuam existindo e tendo importância para se pensar a revolução no século XXI?

Expositores

Dilermando Toni – Membro do Comitê Central do PCdoB, economista.

Eduardo Costa Pinto – Doutor em Economia pela UFRJ; mestre em Economia
pela UFBA, professor de Economia Política da UFRJ.

Mesa 3 – 14h30 às 18h00

A questão nacional na transição socialista na União Soviética e na China – Esta mesa terá o desafio de analisar o problema nacional na experiência soviética e como ela se manifestou e segue presente na construção do socialismo na República Popular da China. Irá também apresentar reflexões sobre o fato de as experiências socialistas terem tido um caráter profundamente nacional tendo em vista enfrentarem dilemas e problemas econômicos, sociais e culturais.

Expositores

Ana Lucia Danilevcz – Historiadora, doutora em História pela UFRGS, professora de Relações Internacionais, do Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais.

Elias Jabbour – Membro do Comitê Central do PCdoB, Geógrafo, doutor pela USP, professor de Teoria e Política de Planejamento da UERJ.
30 de julho – 9h00 às 13h00

Conferência de encerramento:

Projeto nacional de desenvolvimento e a transição socialista no Brasil – Quais os impactos das regressões em toda a linha advindas do golpe sobre o desenvolvimento soberano do país? Como relançar, nas atuais circunstâncias de derrota no Brasil e de reveses na América Latina para o campo político progressista, as jornadas por um novo projeto nacional de desenvolvimento e pelo próprio programa de transição socialista para o país? Quais os atuais caminhos da revolução brasileira? Nas singularidades do Brasil, como a centralidade da questão nacional se relaciona com as bandeiras democrática e social e com a própria luta pelo socialismo?

Conferencista

Renato Rabelo – Membro do Comitê Central do PCdoB, presidente da Fundação Maurício Grabois.