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Reneé de Carvalho, presente! Agora e sempre!

Breno Altman Publicado em 13.09.2018

Na noite dessa quarta-feira, 12 de setembro, faleceu, aos 93 anos, a histórica militante revolucionária Renee de Carvalho.

Nascida em Marselha, na França, em 1925, era filha de pais comunistas. Desde muito jovem se vinculou às formações guerrilheiras do PCF, chamadas FTP (Francs-Tireurs et Partisans), criadas em 1941, coluna vertebral da resistência francesa contra a ocupação nazista e o governo colaboracionista de Vichy.

Aos 17 anos, conheceu aquele que seria o companheiro de sua vida, o lendário Apolonio de Carvalho (1912-2005), dirigente comunista brasileiro, militar revolucionário, oficial do exército republicano espanhol e comandante das FTP em Marselha.

Terminada a guerra, passam a viver juntos em Paris. Nasce o primeiro filho, Rene-Louis. Mudam-se para o Brasil, onde teriam seu segundo rebento, Raul. Ambos seriam, desde a juventude, lutadores sociais.

A família atravessou décadas de clandestinidade, prisões, torturas e exílio. No final dos anos 60, apenas Renee, a mãe, estava em liberdade, sofrendo com o encarceramento e a brutalidade dos quais eram vítimas seu marido e filhos.

Incansável militante, dedicou-se à solidariedade com os perseguidos e à luta contra o regime militar. O sequestro do embaixador alemão, em 1970, que libertou 70 presos políticos, levou ao banimento de seu marido para Argélia. Rene-Louis seria libertado depois da captura do embaixador suíço, em 1971, mesmo ano em que a ditadura soltaria Raul. A família passou a viver na França, até a anistia de 1979.

Junto com Apolonio, Renee participou da fundação do PT em 1980, mantendo-se ligada a esse partido até seu último suspiro.

Valente e carinhosa, sua voz tranquila e sua experiência eram bálsamo de otimismo e esperança a todos os militantes e movimentos que a procuravam.

Por sua história, solidariedade e bravura, para sempre será lembrada como exemplo de mulher destemida e combatente, que dedicou sua vida aos povos do mundo.

Sem sua presença, as trincheiras da classe trabalhadora ficam mais tristes.

Renee de Carvalho, presente. Agora e sempre.