Prosa@Poesia

Da Assunção

José de Anchieta Publicado em 08.10.2015

Anchieta foi o primeiro personagem da história intelectual do Brasil. Não se pode compreender o Brasil sem o padre jesuíta. Abrindo canais de expressão para os índios, em meio a colonos rudes e suas tarefas católicas, ele escreveu em tupi altos momentos líricos de poesia singela e mística.

Um  dia muito bom
nasce para nós hoje.
Eia, que estejais alegres
por causa da morte da mãe de Deus.

 

Vai, neste dia,
saindo para o lugar da felicidade de Deus,
fazendo desaparecer nossa morte,
fazendo-nos viver, com efeito.

 

Para o lugar da felicidade de teu filho
vais, neste dia.
Que te ame, mãe de Deus,
fazendo-te estar em meu coração.

 

Por causa de tua muita misericórdia
não me detestas tu.
Tu te lembras sempre
de mim, por me amar.

 

Deixou-te outrora,nesta terra, teu filho.
Os que estão achegados a ti
consolam-se muito.

 

Querendo ver-te
viemos de longe.
Por tua vida bela
anseia-se sempre.

Por ter saudades de Deus,
choravas sempre.
Faz-te subir consigo hoje
teu Filho para o seu lugar de felicidade.

 

Hoje, os anjos
são os contempladores de tua bela face.
Vem, para me adornar
com tua virtude!

 

Vem, para arrebatar minh’alma,
para que eu vá tocar tuas pálpebras,
diante de ti sentando-me,
tremendo por causa do pecado.

 

Eia, depressa desviando- me,
para que eu te busque as pegadas.
Que me mandes logo
a fazer ocupar-me ti.

 

Que eu deteste muito o diabo,
afastando minha vida má,
a ti somente amando muito,
imitando tua virtude.

 

A bela visão de meu senhor
minh’alma atraia.
Que eu veja tua face,
para que se console muito minh’alma.

 

Livro: Poemas Lírica Portuguesa e Tupi
Autor: José de Anchieta
Organização: Eduardo de Almeida Navarro
Editora: Martins Fontes