Prosa@Poesia

CELLO IMPROMPTU

Haroldo de Campos Publicado em 29.04.2014

CELLO IMPROMPTU


seria antes uma libido da madeira
por estas gamas de topázio
um furor de amarelo
apaziguado em gamas fulvas
jalne cor
de conhaque contra a luz
quando a taça se ergue
indecidindo-se entre ocre
ou um dulçor alourado de tobaco: 
não sei nesta
gaiola de madeiras andróginas ancas
femíneas bronzeadas a verniz fogoso
com sua voz viril de pássaro encerrado
canta
melro de ouro
o cello 

 


Haroldo de Campos – A Educação dos cinco sentidos