Prosa@Poesia

Um longo lagarto verde

Nicolás Guillén Publicado em 22.03.2017

"Cuba aparece subjetivada desde o título. O eu lírico corre seu olhar desde o exterior ao interior do país, ou seja, faz uma apresentação poética que vai desde sua localização geográfica, passando por sua economia, culminando com a menção dos conflitos internos." (María Laura Carracedo)

Por esse mar de Antilhas,

que também Caribe chamam,

batida por ondas duras,

e ornada de espumas brandas,

sob o sol que a persegue

e o vento que a repele,

cantando em lágrima viva

navega Cuba em seu mapa:

um longo lagarto verde,

com olhos de pedra e água.

 

Alta coroa de açúcar

lhe tecem agudas canas;

não por coroada livre,

de sua coroa escrava:

rainha do manto adentro, vassala,

e triste como a mais triste

navega Cuba em seu mapa:

um longo lagarto verde,

com olhos de pedra e água.

 

junto da beira do mar,

tu que estás em fixa guarda,

fita bem, guardião marinho,

na ponta daquelas lanças

e no ribombo das ondas,

no grito das labaredas

e no lagarto desperto

mostrando as unhas no mapa:

um longo lagarto verde,

com olhos de pedra e água!

 

 

Livro: Antologia Poética

Autor: Nicolás Guillén

Seleção e Adaptação: Ary de Andrade

Editora: Leitura