Resenhas

Álvaro Cunhal: por dentro da Revolução de Abril

Sergio Barroso Publicado em 04.08.2014

Frente ao lançamento do quinto volume de obras escolhidas do comunista português Álvaro Cunhal, segue o prefácio escrito pelo dirigente do PCP, Francisco Melo, que Aloisio Barroso destaca como uma importante síntese analítica da Revolução de Abril, ao completar 40 anos.

O Prefácio ao V Tomo das Obras Escolhidas do destacado líder comunista Álvaro Cunhal, que segue, foi elaborado pelo distinto camarada Francisco Melo, do CC do PCP e editor responsável da “Avante!”.

O Prefácio termina por ser uma ótima síntese dos episódios deflagrantes da épica Revolução de Abril de 1974 e seus impasses, marchas e contramarchas. Melo, desde Cunhal, sublinha entre outras questões fundamentais:

a) o caráter particular das alianças e sentido da revolução portuguesa, envolvendo o movimento democrático anti-monopolista das camadas da pequena e média burguesias a que pertenciam oficiais patriotas do MFA (Movimento das Forças Armadas), aliados ao movimento operário-popular, anti-latifundiário e pelas liberdades;

b) a resistência baseada nessa aliança às tentativas dois golpes de estado julho de 1974 e setembro de 1974 e março de 1975, juntos ao PCP capazes de levar adiante uma reforma agrária (com participação maciça dos assalariados rurais) e o controle operário;

c) a capacidade ainda da revolução enfrentar a sabotagem econômica (fuga ao estrangeiro, insolvências/falências/desvios de fundos, fechamento de empresas, destruição/retirada de máquinas e equipamentos, esgotamento de stoks, cancelamento de encomendas, fraudes etc.);

d) a experiência das nacionalizações dos setores básicos da economia e a formação de um impulso de consciência operária pela possibilidade do socialismo;

e) a luta contra a traição do PS de Mario Soares aliando-se à direita, aos fascistas e à esquerda provocadora ou a “apologista das ações espontâneas”, a divisão forjada nas forças armadas revolucionárias (inclusive com facção ultra-esquerdista), a intenda pressão sobre o governo provisório – foram vários – do general Vasco Gonçalves;

f) as tentativas do PCP em solucionar impasses, de busca da unidade, de evitar a guerra civil, enquanto o conspirador Mario Soares “justificou” assaltos e destruição de Centros de Trabalho do PCP (verão de 1975) “por organizações terroristas como o ELP, MDLP e Maria da Fonte”;

g) a aliança da CEE com a direita e o PS para derrotara a revolução, as reflexões autocríticas de Cunhal (sobre a subestimação das forças da contrarrevolução), até o golpe contrarrevolucionário de novembro de 1975.

Muito instrutivo, o Prefácio de Melo a Cunhal cobre o período 1974-Dezembro de 1975.

Recomendo a leitura atenta. Leia a integra abaixo:

Clique aqui para ler o Prefácio

* Médico, doutorando em Economia Social e do Trabalho (Unicamp), membro do Comitê Central do PCdoB