Resenhas

Sobre os anos perigosos de 2015-2016

Cezar Xavier Publicado em 04.04.2017

O novo livro de Walter Sorrentino, anos que Vivemos em Perigo – a crise brasileira, alinhava uma série de análises sobre os elementos centrais da crise política que descambou para golpe de estado e ataques sistemáticos aos direitos sociais. Confira como o autor, Aldo Rebelo e Durval Goyos Jr, compreendem esta coletânea de artigos que elucida momentos fundamentais da crise política dos últimos meses.

Foto: Walter Sorrentino durante lançamento de Anos que Vivemos em Perigo, em São Paulo

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Walter Sorrentino, vice-presidente nacional do PCdoB:

O recorte é de 2015-2016 – do início do segundo mandato popular de Dilma Rousseff, até o fatídico golpe de Estado de modalidade parlamentar.

Neles desvela-se a crise política brasileira mais sua dimensão institucional, econômica e social. Foram anos duros para a democracia e para todos os patriotas, progressistas e democratas – a maioria da nação brasileira.

Anos que vivemos em perigo e que permanecerão como testemunho da história de mais um golpe na democracia brasileira, de uma crise política ainda em busca de saídas enquanto se desmonta o passado e se intenta criar um novo regime social não legitimado pela soberania do voto popular.

Foram escritos no calor dos acontecimentos. Registram a imprevisibilidade política, os altos e baixos da encruzilhada do governo Dilma, os diferentes papéis do PMDB no período, a armação do golpe do impeachment, a ofensiva restauradora no país e a resistência democrática na sociedade; em alguma medida, correlacionado os fatos com a conjuntura internacional. Inevitável nos textos a presença de pessimismo da razão ou otimismo da vontade.

Mas há neles uma linha analítica coerente, cuja força explanativa cabe ao leitor e leitora avaliar.

Com a edição deste livro espero contribuir criticamente para a necessária avaliação política e histórica dos graves fatos que acometeram a nação, bem como do período de governos populares aberto em 2003 com Lula presidente.

Durval de Noronha Goyos Junior, presidente da União Brasileira de Escritores (UBE):

Este livro é um lúcido e denso registro histórico dos desdobramentos políticos que levaram ao golpe parlamentar e judiciário  a destituir a presidente eleita da República, Dilma Roussef, bem como das respectivas inspirações espúrias. 

Walter Sorrentino analisa, em ordem decrescente de data, de 2016 para 2015, os efeitos do governo ilegítimo, impopular e desprovido de mandato público de Michel Temer, para concluir de forma inexorável que “a soberania do voto popular é o caminho para o desfecho da crise brasileira”. Tal conclusão não é fundada apenas no amor pela observância do Estado de Direito e do regime constitucional brasileiro, muito caro à Nação. O Autor examina, para além dos aspectos legais, as consequências da imposição de uma ilegítima nova ordem sócio econômica ao País. 

Ao clamar pela unidade na resistência à cruel agenda que destrói as conquistas legais, sociais e econômicas do povo brasileiro, Walter Sorrentino  observa que a luta será dura, complexa e de longa duração, tendo sentido estratégico ao se voltar “contra forças poderosas externas e internas do neoliberalismo e imperialismo”. Ele reitera ao longo da obra que a crise brasileira exige uma solução democrática. O Autor enfatiza ainda que o Brasil necessita de um novo projeto nacional de desenvolvimento econômico e social que assegure sua soberania, democracia e política exterior independente.

A importante obra de Walter Sorrentino está fadada a se tornar um livro de referência obrigatória para a compreensão da situação brasileira atual bem como para a busca de sendas seguras para os interesses da Nação.

Aldo Rebelo, ex-ministro dos Governos Lula e Dilma:

Walter Sorrentino é um observador atento e arguto do ambiente político do Brasil. Treinou estas habilidades desde os tempos da militância clandestina na época dos governos militares, quando rusticidade e refinamento eram exigências da sobrevivência e da política.

Os textos que ora oferece ao leitor tratam dos sombrios episódios que levaram ao afastamento da presidente Dilma Roussef por uma urdidura de elementos policiais, jurídicos e institucionais.

O governo Dilma caiu pela ação corrosiva antinacionalista e antidemocrática dos grupos conservadores, mas também por incapacidade de reunir amplas forças políticas e sociais para neutralizar a ofensiva conservadora.

A agenda conduzida pelo governo carregava uma ambiguidade que terminou por arruiná-lo. A questão nacional, que sem dúvida seduzia a presidente, perdia força quando confrontada com as demandas politicamente corretas das corporações públicas e privadas.

A agenda de consenso do cosmopolitismo deslumbrado defende causas, passa longe do drama concreto da sobrevivência das nações e, portanto, dos nacionais, sejam eles trabalhadores, empresários ou artistas.

A defesa do meio ambiente, a proteção dos animais, a luta contra a corrupção, a igualdade de raça e de gênero, são temas muito mais caros às nossas instituições do que a soberania científica e tecnológica da Nação, o emprego dos nossos trabalhadores ou a sobrevivência das empresas brasileiras. Agendas que deveriam ser complementares, se excluem.

Na Europa, tal conflito resultou na vitória, no referendo, da saída do Reino Unido da União Europeia. A mesma situação na França levou ao crescimento da Frente Nacional de Marine Le Pen.

Nos Estados Unidos, Donald Trump ganhou as eleições oferecendo aos americanos do Norte um caminho alternativo à plataforma da globalização financeira, das ONGs, e da mídia.

Como as caravelas de Cabral, os filmes de Hollywood e a Coca-Cola, a onda contra a agenda do consenso global chegará um dia por aqui. A esquerda poderá continuar a acusá-la de coisa do capeta, da direita e fascista, ou poderá também voltar seus olhos para o País subestimado, com seu povo, seu passado, presente e futuro.