Princípios
Coleção Princípios - Soberania e desenvolvimento sustentável

Lampíão, um rastro de ousadia e ódio pela caatinga

Joan Edessom de Oliveira* Publicado em 01.06.2008

Embora tenha sido morto aos quarenta e um anos, a figura do “rei do cangaço”, Virgulino Ferreira da Silva, se fixou no imaginário popular. Até hoje a memória de Lampião, de seus “cabras” e de sua companheira, Maria Bonita, corre o sertão, nos romances de cordéis, na boca dos cantadores e nas investigações sobre a história do Brasil

Amanhecia o dia 28 de julho de 1938. No acampamento – uma grota perdida nos sertões – os homens e mulheres despertavam. O fogo da metralha rasgou os ares, quebrando o silêncio da caatinga, apenas pontuado pelas aves que despertavam. Nas mãos de João Bezerra e sua tropa alagoana, arautos da morte, a “bordadeira” costurava o estreito espaço onde os cangaceiros buscavam fugir e se defender, tudo a um só tempo.

O capitão Virgulino Ferreira da Silva foi dos primeiros a tombar, se não o primeiro dentre eles. Em seguida foram caindo, de peito aberto, à traição, de qualquer jeito abatidos, enquanto um punhado buscava escapar à morte certa. Luís Pedro, o valente cabo de guerra do bando, já havia furado o cerco quando a voz de dona Maria ressoou, cobrando a promessa antiga de ficar ao lado do capitão até a morte. Voltou olhando para os soldados, mirando a morte.

Foram quinze minutos apenas, ao amanhecer de 28 de julho. Foi o mais curto dos combates travados pelo capitão ao longo de duas décadas. Ao término, Lampião e Maria Bonita, os reis do cangaço, jaziam ao lado de outros nove integrantes do grupo. Os “macacos” da volante de João Bezerra se esbaldaram em selvageria. Um cortou a mão de Luís Pedro para poder arrancar-lhe os anéis com calma quando saíssem dali; outro seviciou Maria com o tronco de um mandacaru; por fim, cortaram as cabeças para expor nas escadarias das igrejas, das prefeituras, num cortejo cruel e macabro. A prática do Estado brasileiro, de degolar os seus adversários, inaugurada muito antes, se estenderia ainda por longo tempo. Em Angicos começara a agonia do cangaço, o princípio do fim.

Origens do cangaço

O termo cangaço começou a ser utilizado ainda na primeira metade do século dezenove e se relacionava à canga, ao jugo dos bois. A maioria dos estudiosos sobre o cangaço se inclina a acreditar que deriva de uma associação entre a canga dos bois e a forma como os cangaceiros carregavam o rifle, atravessado nas costas. Ainda no final do século dezenove, tanto os grupos de homens a serviço de um fazendeiro quanto os primeiros grupos independentes já eram chamados de cangaceiros.

Por vingança, como meio de vida, como refúgio, homens como Cabeleira, Jesuíno Brilhante, Antonio Silvino, Sinhô Pereira, Luís Padre e muitos outros, entraram para sempre na crônica dos sertões, imortalizados pelos cantadores e cordelistas, gravados na memória do povo geração após geração.
Fenômeno exclusivo dos sertões, os autores dividem-se quanto às causas do cangaço. O que levou homens e mulheres à vida de banditismo num período de quase dois séculos, desde que Cabeleira passou a agir até a morte de Corisco?

Uma primeira explicação para o fenômeno, de forma mais generalizada, deve ser buscada no entendimento dos sertões. Os sertões constituíam, dentro do Brasil, uma sociedade à parte, com seus códigos e leis próprias, onde o Estado era uma figura distante, abstrata, presente apenas na legitimidade do autoritarismo e na repressão.

Na ocupação do espaço sertanejo pelo branco europeu a marca maior foi a violência. Era um território sem lei nem rei, e o império do mais forte foi a característica predominante. Os criadores de gado, acostumados a sangrar o boi para o abate e a castrar porcos e bodes para a engorda, não tardaram a achar que entre o sangue dos bichos e o sangue da indiada que lhe opôs resistência não havia muita diferença. Nos sertões, o massacre dos índios limpava as margens dos rios para o estabelecimento das fazendas de criar. O Regimento de Cavalaria do Çertam, corpo de vaqueiros encourados e armados, “limpou”, por exemplo, as margens do rio Jaguaribe, no Ceará, para que os fazendeiros pudessem nelas instalar seu criatório, dizimando para isso tribos inteiras de icós, icozinhos, jucás, quixelôs.

Instalados nos sertões, potentados donos de léguas sem fim de terra e de cabeças sem conta de gado, faziam da sua vontade a lei com base na violência. E essa violência findava por se transformar em marca do tempo e do lugar.

Quanto mais duradoura tenha sido a fase cruenta de um processo de colonização, tanto mais duradoura se mostrará, via de regra, a permanência dos hábitos violentos, numa fase em que racionalmente já não mais se justificam (MELLO: 2005, p. 64).

Os mais sérios pesquisadores sobre o tema buscam explicações sociais para o cangaço, mesmo quando divergem entre si. Segundo Chandler (2003: p. 28), as secas mais intensas contribuíam para o surgimento do banditismo e a freqüência com que ocorreram no final do século dezenove e início do século vinte fez aumentar o nível de violência do cangaço. Facó (1976: p. 38), por sua vez, considerava o cangaço como uma réplica ao latifúndio. Certo é que, mesmo quando se buscam as explicações nas histórias individuais dos cangaceiros, elas não teriam ocorrido sem que determinadas condições históricas tivessem preparado o fértil terreno para o seu surgimento. A brutalidade e a violência daquela sociedade, a miséria e a exploração, a ausência do Estado e a presença da lei do mais forte, são fatores que propiciaram o surgimento de homens e bandos com uma lei própria, a desafiar a ordem estabelecida mesmo quando, aparentemente, eram elementos dessa própria ordem. Lampião foi o mais bem acabado exemplo do cangaço, fruto de um tempo e de um lugar, e deve ser estudado à luz desse tempo e desse lugar: a caatinga sertaneja da primeira metade do século vinte.

Virgulino Ferreira

Terceiro filho de José Ferreira, Virgulino era hábil artesão e vaqueiro exímio. Bom dançarino, tocador de sanfona, na adolescência alcançava o seu sonho de criança. Quando perguntado pelo tio Manuel Lopes se desejava estudar para ser doutor, o menino Virgulino respondeu com convicção:

- Quero. Mas não para ser doutor. Quero ser é vaqueiro (MELLO: 2005, P. 165). Vaqueiro, pequeno criador, tangedor de burros pelos sertões, desde o Pernambuco até a Pedra de Delmiro Gouveia, nas Alagoas, Virgulino e seus irmãos criaram-se como tantos no sertão, até que a violência, filha legítima dessas paragens, cruzou o seu caminho, fazendo-se dele irmã inseparável, sua contra os outros, dos outros contra ele. Uma rixa entre famílias lançou-o nos braços do cangaço. Segundo alguns afirmam, ele fez do cangaço meio de vida, esquecendo a vindita inicial. E isso pode até ser verdadeiro, mas o fato é que a briga entre sua família e os Nogueira e Saturnino, em 1916, constitui o estopim, o fogo inicial transformado em imensa coivara a rasgar como um grande incêndio os sertões de sete estados do nordeste brasileiro. O assassinato do pai, na seqüência dos acontecimentos iniciais, selou o seu rumo. Não havia mais volta. Virgulino não seria nem doutor e nem vaqueiro. Seria capitão de homens, comandante dos sertões.

Integrado inicialmente ao bando de Sinhô Pereira e Luís Padre, Virgulino não sairia mais do cangaço. A partir de 1922, quando Sinhô Pereira e Luís Padre abandonam o cangaço e refugiam-se em Goiás, ele passa a atuar com seu próprio grupo, do qual faziam parte seus irmãos Antonio e Levino. Mais tarde, um terceiro irmão, Ezequiel, e um cunhado, Virgínio, também foram para o cangaço. Todos morreram antes de Virgulino. O único dos irmãos que sobreviveu a ele foi João, que não entrou no cangaço. A área de atuação de Virgulino se espalhou por sete dos nove estados do nordeste, deslocando-se progressivamente para o sul ao longo de duas décadas. A atuação em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba foi se deslocando para Bahia, Alagoas e Sergipe. No Ceará e em Sergipe sempre atuou mais livremente, por conta do respeito pelo padre Cícero no primeiro e por conta dos acordos políticos firmados no segundo.

Um capitão de guerrilhas

Embora tenha atuado com muitos homens em algumas vezes, registrando-se ataques e escaramuças em que o bando tinha cem ou mesmo cento e cinqüenta homens, a regra de Lampião sempre foi a de pequenos grupos, agindo com autonomia, juntando-se quando necessário. Cristino da Silva Cleto, o Corisco, apelidado também de Diabo Louro, foi o seu mais famoso cabo de guerra, sobrevivendo ainda por dois anos após o massacre de Angicos, ao qual não estava presente.

Lampião sempre procurava atacar em condições que lhe fossem favoráveis. Tinha profundo respeito pelos corajosos e sabia bem que sua sobrevivência estaria comprometida caso se desse a arroubos de valentia constantemente. Ousado e cauteloso, fustigava e fugia, atacando quando necessário, procurando render os adversários sem que houvesse combate, combatendo apenas quando não havia outra saída. Naquelas paragens, essa astúcia guerrilheira era antiga, desde a resistência indígena, passando pelos negros quilombolas ou amucambados, até os canudistas de Antônio Conselheiro.

Além do conhecimento absoluto do território, Lampião contou sempre com uma extensa rede de apoios, fundamental em sua guerra de guerrilhas sertaneja. Essa rede de apoio ia desde grandes fazendeiros, políticos influentes, governadores de estado, até os mais humildes sertanejos, vaqueiros, pequenos criadores; de armas de propriedade exclusiva do exército brasileiro até mantimentos por vezes indispensáveis e em situações nas quais o bando não podia comprar e nem pilhar.
O capitão Virgulino sabia ainda recompensar regiamente os seus amigos, garantindo com isso a fidelidade da maioria, embora, por mais de uma vez, inclusive em Angicos, tenha sido surpreendido pela traição.

Ele era um combatente habilidoso. Para Chandler (2003: p. 170), a capacidade que Lampião tinha de despistar a polícia e escolher a hora propícia para o combate era uma habilidade que muitos achavam extraordinária.

O que a polícia considerava essencial, para o sucesso dessas táticas, era a fantástica habilidade de Lampião de cobrir seu rastro. O mais comum era viajar nos caminhos de pedregulhos, ou lajeiros, onde quase não deixavam evidência de sua passagem. (...) Sabia-se também que às vezes chegavam num lugar, e, então, caminhavam para trás, na mesma trilha, até que a pudessem deixar, cruzando a superfície dura, ou pulando para o lado. Para a polícia, os cangaceiros tinham desaparecido no ar (CHANDLER: 2003, p. 171). Durante as duas décadas em que viveu no cangaço, Virgulino Ferreira sofreu revezes e contabilizou importantes vitórias. A certeira pontaria e uma maneira peculiar de atirar, fazendo o seu primeiro rifle parecer automático, valeram-lhe a alcunha imortalizada, segundo a versão de muitos. O cano da arma, “aceso” na batalha, parecia um lampião a iluminar a caatinga. Foi ferido tanto em combate, por diversas vezes, inclusive no pé, causando-lhe um pequeno defeito que o acompanhou para sempre, quanto pela caatinga, no espinho atrevido que lhe custou um olho. Parcialmente cego, ligeiramente manco, a bravura e a sagacidade só aumentaram.

Dona Maria e as mulheres no cangaço

Em fins de 1930 ou início de 1931 a primeira mulher entrou no bando. Não poderia ser de outro que não a do seu próprio comandante. Deixando o marido para seguir Virgulino, Maria Déa, Santinha, Maria Bonita ou simplesmente dona Maria, como era tratada pelos cangaceiros, a primeira dama do cangaço reinaria absoluta até morrer com seu amado no coito de Angicos. Sua data do nascimento é emblemática, 08 de março. Como tantas outras que ingressaram no cangaço depois dela, essas mulheres se agigantavam na valentia e no sofrimento. Quase todas elas engravidaram e tiveram filhos em meio a perseguições, correrias, tiroteios. Nenhuma pôde ficar com os filhos, entregues a padres, promotores, juízes, parentes, ricos fazendeiros. De Lampião e Maria Bonita sobreviveu Expedita, ainda viva. Dadá de Corisco, Sila de Zé Sereno, Inacinha de Gato, Maria de Pancada, Neném de Luís Pedro, e tantas outras. Aristéia e Durvinha ainda vivem, heroínas de uma saga sem rumo. No meio da caatinga, histórias de amor e desamor se construíram, como o ódio inicial de Dadá por Corisco transformado no amor imenso que a fez defendê-lo até a morte, sacrificando uma perna em combate para tentar salvá-lo.

A tragédia amorosa de Lampião e Maria Bonita lhes rendeu um lugar de honra na literatura popular. Encarnam o amor em luta e guerra contra tudo e contra todos. É que naqueles ermos, como bem disse o poeta Crispiniano Neto, o papel da ternura era tão duro que o amor precisava andar armado. As mulheres no cangaço, seu papel, sua história, não cabem nos estreitos limites deste artigo.

Lampião, padre Cícero e Coluna Prestes

Um dos mais controvertidos e explorados aspectos da vida de Lampião diz respeito à sua relação com padre Cícero Romão Batista, o patriarca de Juazeiro do Norte, no Ceará. Personagem singular na nossa história, tal qual o famoso bandoleiro, nos anos de 1920, padre Cícero já era um mito em todo o nordeste. Erigira uma cidadela sertaneja, território dos seus romeiros, e era respeitado por todo o sertão nordestino. As imensas romarias que levam mais de dois milhões de romeiros todos os anos à chamada cidade santa nordestina, já ocorriam com padre Cícero em vida.

Lampião, como a maioria dos sertanejos, tinha o velho padre como um verdadeiro santo, admirando-o e sendo a ele devotado. Para a maioria dos historiadores, esse respeito por padre Cícero, junto aos acordos políticos realizados com grandes fazendeiros do Ceará, explica por que Virgulino nunca tenha praticado ataques mais sérios no Ceará, limitando-se a pequenas e insignificantes escaramuças durante todo o período em que combateu.

Um episódio, entretanto, entrou na vida de ambos como um dos mais significativos. A chamado de Floro Bartolomeu, médico baiano, deputado federal e considerado uma espécie de alter-ego do padre Cícero, Lampião foi a Juazeiro em 1926. Floro estava no Rio de Janeiro, adoentado, vindo a morrer enquanto Lampião se encontrava com o padrinho Cícero. Em Juazeiro do Norte Lampião conversou com o patriarca, deu entrevistas, fez algumas de suas mais famosas fotografias e recebeu armas, fardamentos e munições para compor os Batalhões Patrióticos, que davam então combate à Coluna Prestes. Pedro de Albuquerque Uchôa, inspetor agrícola do Ministério da Agricultura, a pedido do padre Cícero, e na presença de Antonio Ferreira e Sabino Gomes – lugares-tenente de Lampião, sendo o primeiro seu irmão – assinou um documento em nome do governo da República dos Estados Unidos do Brasil, dando a Lampião a patente de capitão e a permissão para viajar livremente, de estado a estado, em companhia dos Batalhões Patrióticos, em combate à Coluna. Mais tarde, Uchôa declarou que teria assinado até mesmo a exoneração de Artur Bernardes da Presidência da República se Sabino e Ferreira tivessem pedido. A partir de então Virgulino passaria a assinar como capitão Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. O único dentre os cangaceiros a também poder se chamar assim, até o fim do cangaço foi Cristino da Silva Cleto, o capitão Corisco.

Jogo político de Floro, artimanha do octogenário padre Cícero, ou ingenuidade de Lampião. Fosse o que fosse, o agora capitão pareceu sair de Juazeiro do Norte disposto a cumprir sua palavra e combater os revoltosos de Prestes. Tão logo saiu do Ceará, entretanto, as polícias da Bahia e de Pernambuco lhe deram combate. A promessa feita a padre Cícero de se retirar do cangaço tão logo cumprisse aquela missão se esvaiu na desilusão. A patente de capitão não foi reconhecida pela polícia, nem a permissão de viajar livremente teve qualquer serventia. Com as armas e munições do exército recebidas em Juazeiro, Lampião deixou a Coluna de lado e, fortalecido e bem armado, embrenhou-se novamente nos sertões. Sua vida não permitia voltas, e a partir de então seguiu em marcha batida rumo a seu destino final. Virgulino era agora o capitão Lampião, cada vez mais temido e perseguido, cada vez mais uma lenda sendo erguida sob o sol da caatinga.

Angicos, o fim da caminhada

Lampião viveu quarenta anos, mais da metade no cangaço. Comeu o pó das estradas sertanejas ao longo de mais de vinte anos. Palmilhou, por vezes a cavalo, mas no mais das vezes a pé, com suas sandálias de couro, incontáveis léguas por sete estados brasileiros. Travou centenas de combates e escapou a todos eles. Em Angicos, o cego não disparou um tiro sequer.

Cometera, em toda a sua trajetória no cangaço, um erro muito sério. O fracasso do ataque a Mossoró, no Rio Grande do Norte, acompanhou-o por toda a vida. Atacara uma cidade grande, próxima ao mar, importante politicamente. Fora derrotado, uma dura derrota, de valor simbólico muito grande. Atraíra sobre si ainda mais a violência repressora do governo. Mossoró virou um símbolo, um ícone. Lampião não cometeu jamais o mesmo erro.

Em Angicos, ele errou uma segunda vez. Muitas vezes repetira que não se fica em coito com uma única saída, “ratoeira” segundo os cangaceiros. Angicos era exatamente uma delas. Corisco ali estivera e dissera isso. Zé Sereno dissera para Lampião a mesma coisa. O capitão insistira em ficar, confiava em Pedro de Cândido, o coiteiro que o trairia. Angicos é uma seqüência de erros que desafia os historiadores do cangaço até hoje. Como o capitão Virgulino cometera um erro tão grosseiro? Como Juriti e Ligeiro, famosos cachorros de Lampião, juntamente com os outros, não latiram dando o alarma? Como, em esconderijo tão desfavorável, não havia sentinelas? A história ainda busca respostas setenta anos depois.

Na manhãzinha de 28 de julho de 1938 havia em Angicos os bandos de Lampião, Luís Pedro e Zé Sereno. Corisco ainda chegaria com Dadá e seu bando. Conforme dizem os sobreviventes, o combate durou apenas quinze minutos. Foi o mais curto da vida de Lampião, e também o que apresentou o maior número de baixas. Foi o combate fatal. Há setenta anos passados.

Lampião e Maria correm o sertão até hoje, nos romances de cordéis, na boca dos cantadores, na voz sussurrante das contadoras de história sertanejas, nas inúmeras pesquisas dos historiadores, na boca do povo, de pai para filho, de avô para neto, de bisavô para bisneto.

Segundo Chandler (2003: p. 218), “Lampião era um bandido social, mesmo não sendo um nobre salteador. (...) a sociedade em que viveu era tal que um jovem corajoso, como ele, poderia cair no banditismo muito facilmente. Ou como disse um cantador:

“Era brabo, era malvado,
Virgulino, o Lampião,
Mas era, pra que negar,
Nas fibras do coração
O mais perfeito retrato
Das caatingas do sertão.”

Joan Edessom de Oliveira é mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará e diretor da Escola de Formação Permanente do Magistério, em Sobral-CE

Referências Bibliográficas:
CHANDLER, Billy Jaynes. Lampião, o rei dos cangaceiros. 4ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003.
ARAÚJO, Antonio Amaury Correia de. Assim morreu Lampião. 3ª ed. Santos: Traço, 1982.
MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. 4ª ed. São Paulo: A Girafa, 2005.
FACÓ, Rui. Cangaceiros e fanáticos. 4ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976.
DIAS, José Umberto. Dadá. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1988.
SOUZA, Ilda Ribeiro de (Sila). Sila: memórias de guerra e paz. Recife, Imprensa Universitária-UFPE, 1995.

EDIÇÃO 96, JUN/JUL, 2008, PÁGINAS 67, 68, 69, 70, 71