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CENTENÁRIO DO PCCh: “Talhado para as grandezas, para crescer, criar, subir”

Luciana Santos Publicado em 29.06.2021

Nesta terça-feira (29), ocorreu o diálogo de Think Tanks China-Brasil para celebrar os cem anos de história do Partido Comunista Chinês (PCCh). Entre os convidados estiveram especialistas e estudiosos da historia do partido, assim como dirigentes do PCdoB, como a presidenta nacional e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, e Ana Prestes, da Comissão de Relações Internacionais do Partido. O presidente da Fundação Leonel Brizola de Pernambuco e dirigente do PDT, Pedro Josephi também avaliou a trajetória dos comunistas chineses. Leia a íntegra do discurso de Luciana Santos:

A presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos

SENHOR PENG XIANTANG VICE DIRETOR DO CENTRO SINO-BRASILEIRO DE PESQUISAS SOCIO ECONÔMICAS DO INSTITUTO CONFÚCIO DA UPE

SENHOR ZHOU ZHIWEI DIRETOR EXECUTIVO DO CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS DO INSTITUTO DA AMÉRICA LATINA DA ACADEMIA CHINESA DE CIÊNCIAS SOCIAIS

QUERIDA SENHORA CONSUL GERAL DA CHINA EM RECIFE, YAN YUQING

SENHOR PEDRO JOSEPHI PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO LEONEL BRIZOLA -- PE (PDT)

SENHORA CHRISTINE DABAT, PROFESSORA SO DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UFPE

SENHOR EVANDRO CARVALHO COORDENADOR DO CENTRO DE ESTUDOS BRASIL--CHINA DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS

E meus camaradas

E ANA MARIA PRESTES MEMBRO DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO E DA COMISSÃO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DO PCdoB

RENATO RABELO PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO MAURÍCIO GRABOIS E EX PRESIDENTE DO PCdoB

“Havia doze pessoas naquela reunião que fundou o Partido Comunista da China. No meio delas estavam dois professores universitários e trabalhadores em geral. Também havia um líder camponês, de 28 anos, alto, que estudara Pedagogia e trabalhava em biblioteca, que era também poeta, e que, talvez por isso mesmo, acreditava firmemente no que, na época, era quase uma licença poética – a libertação nacional e social da velha China. Seu nome era Mao Zedong”.

A partir de 1921, o pequeno agrupamento comunista que surgira, “talhado para as grandezas, para crescer, criar, subir”, integrou-se nessas pelejas, foi ganhando força e se pondo à frente das grandes lutas. No país da Grande Muralha de 3.000 km, os comunistas fizeram a Grande Marcha de 9.650 km a pé, e depois de 28 anos de lutas e 26 de guerra, encabeçando uma frente popular, chegaram a Beijing e conquistaram o Poder, em 1949. Mao Zedong, o grande timoneiro dessa travessia, proclamou então, ao seu país e ao mundo: “Está fundada a República Popular da China. De hoje em diante o povo chinês vai se por de pé.”

Em apenas 43 anos, a partir de 1978, a economia chinesa, de atrasada, periférica, começou a ultrapassar a economia de países altamente desenvolvidos, construindo um parque industrial avançado, com alta tecnologia, eliminando a pobreza extrema no interior, rumo a um progresso social, político e econômico sem precedentes na história da humanidade.

A China é um grande país, assim como o Brasil. A China tem 1 bilhão e quase quatrocentos milhões de pessoas. O Brasil tem pouco mais de 200 milhões. Nossas duas economias são em grande medida complementares. A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Essa é uma sólida base estrutural do relacionamento entre nossos dois países e povos. O Partido Comunista da China é apenas um ano mais antigo do que o Partido Comunista do Brasil. O Partido da China foi fundado em julho de 1921, em Shanghai, e o PC do Brasil nasceu em 25 de março de 1922, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.

O lançamento dos BRICS – que é o agrupamento formado por cinco grandes países emergentes - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - juntos, representam cerca de 42% da população do mundo, 23% do PIB, 30% do território e 18% do comércio mundial. Este é um grande passo dado no passado recente que precisa ser desenvolvido. Através dele e de iniciativas bilaterais do próprio Brasil, poderão ser estabelecidos acordos vantajosos com a China dentro do projeto Cinturão e Rota. Na verdade, este projeto é uma configuração de como o mundo poderá se desenvolver de forma harmônica e sustentável. Na área da infraestrutura que é a base para os projetos de desenvolvimento poderemos avançar para um futuro próspero e equilibrado ecologicamente.

A emergência da China está ligada ao caminho que ela segue, a do socialismo moderno, com feição nacional, e que esse próprio caminho não poderia ser palmilhado se não tivesse na direção de todo o processo, ele, que agora está completando cem anos, o Partido Comunista da China. Já o Brasil, luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, ainda tendo que enfrentar as forças reacionárias e negacionistas do conservadorismo, as forças que defendem os interesses imperialistas que impõem ao país restrições ao desenvolvimento econômico, social e político de toda a ordem.

As relações entre nossos dois partidos têm sido extremamente proveitosas e cooperativas como devem ser as relações entre Partidos Comunistas irmãos. Mas sempre será possível desenvolvê-las em novos patamares, especialmente quando se trata de troca de ideias políticas, troca de delegações quando isso for possível devido à pandemia, realização de seminários e participação em Congressos. Podemos agir mais e melhor nas trocas em relação a eventos culturais e acadêmicos. Desta forma poderemos avançar no conhecimento mútuo e mesmo gerar conhecimento em determinadas áreas específicas.

Não temos dúvida de que se não houvesse a fundação em 1921 e o desenvolvimento do Partido Comunista da China não teríamos hoje este espetáculo de crescimento e desenvolvimento da sociedade e da economia chinesa. A questão é que o desenvolvimento da República Popular da China e sua política internacional contribuem decisivamente para o desenvolvimento e o crescimento de dezenas de outros países que se integram numa política de ganha—ganha e de cooperação mútua que vão dando uma nova fisionomia para as relações internacionais no mundo.

Comemoramos com alegria os cem anos da fundação do Partido Comunista da China!