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CENTENÁRIO DO PCCH: Cem anos do glorioso Partido Comunista da China

Renato Rabelo Publicado em 29.06.2021

Nesta terça-feira (29), ocorreu o diálogo de Think Tanks China-Brasil para celebrar os cem anos de história do Partido Comunista Chinês (PCCh). Entre os convidados estiveram especialistas e estudiosos da historia do partido, assim como dirigentes do PCdoB, como a presidenta nacional e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, e Ana Prestes, da Comissão de Relações Internacionais do Partido. O presidente da Fundação Leonel Brizola de Pernambuco e dirigente do PDT, Pedro Josephi também avaliou a trajetória dos comunistas chineses. Leia a íntegra do discurso de Renato Rabelo:

O presidente da Fundaçao Maurício Grabois, Renato Rabelo

O centenário do Partido Comunista da China é acontecimento de magnitude não só do povo chinês, mas também para toda a humanidade, celebrado neste 1º de julho. A tarefa de criar um partido revolucionário de novo tipo da classe trabalhadora no início do século XX, correspondia a uma tendência do desenvolvimento histórico daquela época.

A fundação do Partido Comunista da China, em julho de 1921, como a fundação do Partido Comunista do Brasil, em março de 1922, está vinculada ao momentoso triunfo da Revolução de Outubro na Rússia. 

O PCCh surge do mesmo modo no curso concreto da evolução da sociedade chinesa, na qual as lutas mais significativas tinham como propósito a resposta à questão nacional, pela verdadeira independência do país, diante do crescimento da inconformidade do povo com a dominação colonialista da China por grandes potências imperialistas. 

Diante dessa realidade, o PCCh foi fundado como resultado de um movimento de combinação entre a teoria do marxismo-leninismo e o crescimento das lutas camponesa, operária e patriótica da época. Guiado por essa teoria o Partido Comunista da China conquistou a direção do processo de transformação política e social do país e abriu caminhos próprios em consonância com a realidade da China.

A revolução descortinou a maior e mais profunda mudança da história do povo chinês. A grande vitória da revolução democrática de 1949, levou a China a pôr fim ao sistema de monarquia absoluta feudal, edificar um sistema democrático-popular, unificar o país e suas diferentes etnias, dar um fim conclusivo à sociedade semifeudal e semicolonial, revogar todos os tratados impostos pelas potências estrangeiras e não mais se submeter ao mando do imperialismo na China.

Sem a liderança do PCCh e de Mao Tsetung, a revolução não teria triunfado. Mao Tsetung foi o mais importante líder da história da China e um dos mais destacados líderes do movimento comunista mundial. O pensamento de Mao Tsetung faz parte da sistematização teórica da experiencia vivida pela revolução na China, seguindo o marxismo e os ensinamentos de Lenin, na época do imperialismo.

A revolução iniciou o caminho para construção do socialismo com as características chinesas, lançou as bases para o desenvolvimento do ideário popular e nacional. A China na sua experiencia não copiou modelos e teve elevado êxito histórico, demonstrou originalidade. O Partido Comunista da China conseguiu elaborar uma orientação autônoma para a construção do socialismo conforme sua realidade nacional. Os primeiro anos pós-triunfo da revolução, na busca de meios apropriados para edificação da nova sociedade, foi uma transição difícil, tendo que percorrer caminho desconhecido tornando a construção em zig-zag.

Contudo sob a direção do PCCh, o povo se empenhou em profundidade para buscar a alternativa viável de construção do socialismo. Em tempo relativamente curto conseguiu empreender significativas transformações, procurando dimensionar uma formação econômico-social para uma realidade complexa e reerguer instituições que garantissem a estabilidade e consistência ao projeto delineado.

Surgiu daí, a política de Reforma e Abertura, caracterizada como sendo a etapa primária do socialismo. Esta nova orientação partiu da decisão histórica, marcante, da 3ª Sessão Plenária do Comitê Central do Partido Comunista da China, em dezembro de 1978. Quando então, foi instituído como tarefa central da atividade do Partido e do Estado, a construção econômica, visando o impulso das forças produtivas, como centro do novo projeto de desenvolvimento que iria soerguer a nação chinesa. 

O socialismo com características chinesas, sob a direção do PCCh, surge assim baseado na realidade concreta de um grande país asiático que, teve que enfrentar gigantesca tarefa emancipacionista nacional e social, tendo na sua origem uma revolução anticolonialista; era um país ainda atrasado em vários aspectos, e que encontrou o seu próprio caminho de construção do socialismo na época contemporânea. 

Deng Xiaoping foi o grande dirigente desse novo período, pioneiro na elaboração da linha vigente, que já decorrem mais de 40 anos. É ele que afirma, desde 1992: “Se nós desistirmos do socialismo, não aplicarmos a política de Reforma e Abertura, não desenvolvermos a economia, nem melhorarmos a vida do povo, estaremos num beco sem saída”. Ademais, isso comparado com as experiencias exitosas de desenvolvimento em países da Ásia, que não seguiram o Consenso de Washington.

Na atualidade, a China vive, sob a direção do Partido Comunista da China, um extraordinário desenvolvimento das suas bases produtivas, um acelerado progresso econômico, uma planejada mobilidade social e a rápida redução de regiões pobres. A China retirou 840 milhões de pessoas da linha da pobreza nos últimos 40 anos, sendo assim responsável por 83% dos seres humanos retirados da miséria no mundo nesse período.

 A China sob o critério da Paridade do Poder de Compra (PPC) já é dimensionada como a maior economia do mundo. Em vários sentidos, a China desponta como uma potência emergente, sendo a fase grandiosa da sua história milenar.

Na atualidade, o Presidente Xi Jinping em seu relatório ao 19º Congresso do Partido Comunista da China, em 2017, assevera que a construção do socialismo na China entra em uma nova era, quando afirma: “Mediante os esforços feitos durante longo período de tempo, o socialismo com características chinesas já entrou numa nova era, que confirma nova posição histórica do desenvolvimento da China”. Sendo isto, o avanço no planejamento vaticinado de construir um país socialista poderoso, próspero, socialmente avançado, civilizado e culto, até meado deste século. 

E no tempo presente, um mês depois da epidemia em Whan, é o Presidente Xi Jiping quem enfatiza: “Esta é uma crise, e um teste. Vimos sinais positivos graças ao trabalho duro que temos feito. É claro que a liderança central fez julgamentos sólidos no combate à epidemia e tomou medidas oportunas e eficazes. Nosso sucesso até hoje demonstrou mais uma vez os pontos fortes da liderança do Partido Comunista da China e do socialismo chinês”. Há uma demonstração que, o povo chinês se uniu e se ajudou nesses tempos difíceis, sendo um exemplo perfeito de seu espírito nacional inflexível – forte convicção nacional e coesão social.

O verdadeiro legado da República Popular da China ao mundo pós-pandemia é sua capacidade cada vez maior de se gestar de forma consciente um Estado e uma sociedade, com base no projeto e na planificação. A nossa Fundação Mauricio Grabois, pela dimensão da experiencia da China, tem se dedicado ao estudo e pesquisa dessa notável experiencia. Começamos a identificar lições que indica estarmos diante de uma nova economia de projetamento. Isto, encontra-se, no contexto conduzido pelo Presidente Xi Jinping de revitalização nacional e realização do projeto mais avançado da construção socialista com características chinesas para uma nova era.

Para concluir, desde o triunfo da Revolução, a República Popular da China se tornou um fator decisivo de defesa e promoção da paz no mundo. Seguindo esse rumo, em novo aporte, o Presidente Xi Jinping responde à aspiração comum da humanidade para realização de um mundo harmonioso. O que pode ser alcançado por meio do princípio-conceito proclamado presidente Xi Jinping da construção de uma “Comunidade de Futuro Compartilhado para a humanidade, a fim de alcançar o desenvolvimento comum em benefício de todos”. Do seu discurso pronunciado na sede da ONU em Genebra, em 18 de janeiro de 2017.

VIVA O CENTENÁRIO DO GLORIOSO PCCh!