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Unidade em defesa da federação partidária

Miguel Manso Publicado em 19.08.2021

A federação de partidos é um bom caminho para derrotar a ameaça fascista, o obscurantismo e dar um fim ao genocídio do povo brasileiro.

“A federação é a unidade na desigualdade, é a coesão pela autonomia das províncias. Enquanto houver Norte e Nordeste fracos, não haverá na União Estado forte, pois fraco é o Brasil.” (Ulysses Guimarães)

Ainda agora vivemos a luta que governadores dos estados travam contra um poder central autoritário, golpista, negacionista e genocida. Assim também foi a contribuição dos governadores nas Diretas Já, na Assembleia Nacional Constituinte e na derrota da Ditadura. Para tal é preciso reconhecer que na unidade, como em uma corrente, sua força está limitada pelo elo mais frágil.

Peço licença ao Dr. Ulysses para emprestar seu conceito para a vida política e as alianças partidárias, tão necessárias para construir a unidade no seio do povo, na luta pela sua liberdade. Esta luta, sob a regressão antidemocrática das contra reformas pós Constituinte, também requer a “unidade na desigualdade”, e a “coesão” com respeito pela “autonomia”.

A federação de partidos, de raiz nacional e popular, comprometidos com a democracia e o desenvolvimento da nação, munidos de uma política e de uma prática de Frente Ampla, é um bom caminho para derrotar a ameaça fascista, o obscurantismo e dar um fim ao genocídio do povo brasileiro.

Ulysses raciocinava sobre a desigualdade regional que enfraquece a nação, compreendia a necessidade de fortalecer a unidade nacional, elevar a coesão, com democracia, com diálogo, com luta política, com respeito à formação social e política construída ao longo da história, como caminho para unir, sem submeter de forma autoritária, sem hegemonismos, regionais ou partidários.

A federação de partidos é necessária, não apenas por respeito à história de partidos longevos ou ideológicos, mas pela sobrevivência da democracia e da nação. O Brasil é muito grande, rico e cobiçado. Enquanto houverem partidos hegemonistas e alianças partidárias frágeis, frágil será a democracia e não haverá nação forte. Mais do que nunca é preciso fazer avançar as bandeiras da unidade, unir o povo e libertar o Brasil.


Miguel Manso é engenheiro e membro da Comissão Política Nacional do PCdoB